terça-feira, 14 de outubro de 2008

As fontes, de origem romana, do Zambujal há muito que estão a precisar da atenção das autarquias

A água tal como o ar e o sol é um bem público vital à vida (seria uma aberração privatizá-la), há consciência que a água é um bem “escasso” que deve ser bem tratado mas na realidade parece que se estão a criar as condições para a sua privatização, com o argumento de que os custos do seu tratamento e distribuição, são muito elevados para os contribuintes. As populações devem opor-se energicamente as estas intenções, a aceitação da privatização das águas é o primeiro passo para a privatização de outros bens públicos vitais como o ar e o sol…devemos estar atentos, o futuro o dirá.





Esta é a Fonte Perto que merecia ser cuidada pois está em péssimo estado de conservação, como construção romana que é.


O logradouro da nascente da Fonte Seca está votado ao abandono pela autarquia que o cercou e plantou árvores em tempos.



O fontanário da Fonte Seca ainda utilizado por muitas pessoas está neste estado, à entrada da povoação é um triste "cartaz" publicitário de como a CMC trata esta comunidade.




Esta é a Fonte dos Rodelos Também de origem romana cuja manutenção constitui uma promessa eleitoral do presidente da Junta de Freguesia de Cadima. Encontra-se neste estado deplorável.



Esta a fonte de Vila Nova, idêntica à Fonte Seca, está à vista de todos o cuidado com que foi tratada pela Junta de Freguesia de Outil no mesmo município do Zambujal.

A propósito da importância das fontes para as populações

Sobre a falta de água em Outil o jornal "Gazeta de Cantanhede n.º 1508 de 13 de Julho de 1946 dizia o seguinte:
"E é vê-los caminhar continuamente com os seus bois jungidos aos carros, e nestes a pipa habitual, percorrendo as nascentes do Zambujal…" As fontes do Zambujal eram importantes e ainda podem vir a ser para as comunidades da região e devem ser cuidadas.



Já no jornal "Boa Nova" n.º 38 de 14 de Julho de 1934 se escrevia assim sobre a Fonte Seca

"Zambujal
- Dizem que o rabo (salvo seja) é mais ruim de esfolar pois é por ele que vamos começar, quere dizer, na última correspondência falamos na Fonte Seca.
Chama-se Fonte Seca mas não é seca; é até uma das melhores cá dos sítios. Só é pena que ela esteja como está. Os que lá vão, primeiro lavam os pés e depois é que enchem as vazilhas.
Só teem a vantagem de trazer a água… adubada.
Ó senhores lá da Câmara, por quem são, ao menos dêem-nos água boa."


Já lá vão 74 anos e a noticia mantem-se actual com a diferença que hoje ninguém vai à fonte lavar os pés porque esta deixou de ser de chafurdo com a construção do fontanário em 1936.


Mas continua em péssimo estado como as fotos documentam.


Os "políticos" autarcas podem desculpar-se com a falta de tempo, dinheiro ou outros meios... parece no entanto que a verdadeira razão é a falta de consideração pela população do Zambujal e o seu desprezo pela sua qualidade de vida. As fontes sem manutenção, os baldios “ocupados” mas que deviam ser administrados e protegidos pelas autarquias, a população em 1964 confiou nelas para o fazer, o lixo depositado em zona REN e destruição dos afloramentos na mesma zona demonstram o não cumprimento da Agenda 21.

"pensar global, agir local"

Como "prova" desta falta de respeito, pela comunidade e meio ambiente pode-se verificar pela quantidade de resíduos de pavimento (alcatrão) resultantes das obras para o saneamento (que continua morto e enterrado) despejados nos Rodelos, em plena Reserva Ecológica a dona da obra que produziu estes resíduos é a Câmara Municipal de Cantanhede (CMC) que estipula no seu regulamento do ambiente (n.º 3 e n.º 4 do artigo 17.º) que o dono de obra é obrigado antes do inicio da obra, a indicar o local onde vão ser depositados os resíduos produzidos e o local tem que ser aprovado pela CMC, apesar das reclamações e intimação das autoridades para que o terreno fosse limpo tudo continua na mesma. Temos que acreditar? que um local de formações geológicas, (o município ganhou um Prémio Geoconservação 2006), com valor cientifico, pedagógico e cultural situado em Reserva Ecológica é o local aprovado pela CMC para deposição de resíduos que além disso por ficarem em zona do Aquífero Cársico da Bairrada que alimenta a exsurgência (nascente) dos Olhos da Fervença origem de toda a água distribuída na rede do concelho que deveria ser cuidada exemplarmente, a começar pela própria autarquia. Os resíduos (alcatrão, pneus, plásticos) são de degradação lenta e a longo prazo contaminam inevitavelmente o aquífero, deixando às gerações futuras uma triste herança... água conspurcada. Estes tristes exemplos da autarquia repetem-se por todo o lado (http://ferroada.blogspot.com/2008/08/lixo-os-maus-exemplos.html). É preciso ter consciência que um aquífero contaminado demora séculos a recuperar.A autarquia tem recebido vários prémios de boas práticas ambientais, no entanto estes não são consentâneos com a realidade. Até faz recordar os tristes galardões na ex "União Soviética" dados aos milhões em cada "quinquénio".


O Provérbio: - "Antes fazer que prometer"

22 comentários:

Manel disse...

Caríssimo,
Aqui na freguesia da Tocha, os presidentes de Câmara e Junta até levantam o piso ainda novo e vão colocar um outro ainda antes das eleições.
Aí pelo Zambujal, se urgir para as eleições, eu acredito que o presidente é homem para demolir essas fontes de origem romana que estão velhas e fazer umas outras novas de origem romana, enquanto o diabo esfrega um olho.

Anónimo disse...

Me lembro de passar todos os Domingos por essa fonte, depois de ir a catequese. E tao emocionante ver algo que esta na minha memoria mas que a 17 anos nao vejo. Muito obrigado Sr. Rebola por sempre se preocupar e lutar pelo bem.

Espero um dia e um dia breve passear na frente dessa fonte .

Muito obrigado mais uma vez pelas fetografias.

:) Adelia

Carlos Rebola disse...

Caro Manel

O grande problema é que a água potável, quase na totalidade, está armazenada em aquíferos, são águas subterrâneas, águas infiltradas nos solos que abastecem esses grandes armazéns de água boa, como disse, o grande problema é que, essas águas estão a ser contaminadas a partir da superfície com grande responsabilidade da Câmara, que enterra esses pavimentos (hidrocarbonetos, asfalto, alcatrão) em buracos no solo como aconteceu num estaleiro da Junta, situado no lugar da Coutada, do qual extraíram areia (terra macia) para proteger os tubos, do saneamento básico e substituíram a areia pelos resíduos de asfalto resultante da abertura das valas para o mesmo saneamento, ouvi dizer que esse trabalho foi feito de noite (cobrir com terra os resíduos do pavimento) porque houve uma denuncia à GNR (SEPNA) que foi ao local no dia seguinte. No “Pinhal das Areias” com os resíduos (asfalto) resultantes da obra de saneamento do Casal-Cadima, enterraram centenas de pneus. No Zambujal depositaram milhares de metros cúbicos dos mesmos resíduos (asfalto da obra de saneamento) sobre os afloramentos do Jurássico Médio situados em Reserva Ecológica Nacional. No Viso-Cadima enterraram uma lixeira, sem qualquer impermeabilização, com toneladas de plásticos e outro lixo contaminante. Apesar de estes resíduos serem de degradação lenta, mais tarde ou mais cedo, serão arrastados pelas águas superficiais até aos aquíferos, promovendo assim de forma criminosa a contaminação destes grandes armazéns de águas subterrâneas, um dos bens públicos vitais para a vida na terra. As populações deveriam, tomar consciência, dos males que estas más práticas ambientais, constituem para o futuro das gerações seguintes (nossos netos, bisnetos,...) e denunciá-las. Estes desmandos acontecem na bacia dos “Olhos da Fervença”. A Câmara recebe muitos prémios de boas práticas ambientais, mas parece-me que esses prémios são atribuídos com base em relatórios propagandísticos, que não têm nada a ver com o que se passa na realidade e no terreno.
Quanto às fontes talvez um dia venham a ter que voltar a exercer a função que as originou, manter a vida das pessoas. Não é por acaso que já voltámos a ver pessoas junto das "bicas" a recolher o precioso líquido. Para além do património histórico e cultural que são, as fontes, também fornecem a água, que cada vez é mais escassa e por isso mais valiosa, por isso há que tratá-la bem. Não nos interessa substituir os originais por modelos de resina á escala para colocar numa vitrina de museu, destruindo as verdadeiras.

Um abraço
Carlos Rebola

Carlos Rebola disse...

Adélia
Fico contente por o “Ferroada” levar até ti, boas recordações da nossa terra.
Beijos
Carlos Rebola

Arsénio Mota disse...

Privatizar os recursos, já escassos, de água, é criminoso. A água tem que continuar a ser um bem comum e sem preço, tal como o ar ou o sol. Diz bem, amigo Carlos Rebola, temos todos de impedir o desaforo! E mais: é preciso e urgente exigir às autarquias a conservação em boas condições das fontes existentes! A destruição cega a que vamos assistindo por todo o lado tem de acabar! Caramba, pensemos no futuro das novas gerações não como carrascos mas como gente decente que recebeu a Terra dos seus pais para a transmitir (quase intacta se não puder ser intacta), aos nossos filhos!
E, caro amigo, aceite renovas felicitações por este seu excelente trabalho.

Uma Ilha disse...

Espaços lindos que bem aproveitados dignificavam o lugar e era bom para o turismo.Uma ilha

Carlos Rebola disse...

Amigo Arsénio Mota

Nos passados dias 12 e 13 durante a Conferência Internacional "As Geociências no Desenvolvimento das Comunidades Lusófonas" integrada no Ano Internacional do Planeta Terra, os geocientistas participantes, debateram a importância vital de cuidar das águas subterrâneas, pondo um travão na falta de respeito actual por elas. O "progresso" tem contaminado, sistematicamente, a água de tal forma, que a água potável começa a ser um bem escasso, com a obsessão da economia financeira em transformar em dinheiro, (o deus da actualidades), os recursos naturais, necessários à sustentabilidade da vida humana, põe esta em risco, deixando no limite, às gerações vindouras uma terra, estéril, coberta de dinheiro, cujas notas da desgraça, esvoaçando em constantes furacões de ar irrespirável, cobrirão o sol, com início de outro ciclo do Planeta Terra, sem humanidade, que se suicidou.
É esta economia financeira, do lucro a qualquer custo, (há outros tipos de economia) que já pôs na mesa a preparação da privatização das águas ainda potáveis, o que seria, é, um descaramento escandaloso, evitar a sua concretização pelos cidadãos, penso que é um acto de cidadania, de justiça e de humanidade.
A conservação das boas heranças do passado deveria ser uma obrigação, dever é, das autarquias.
Obrigado amigo.

Abraço cordial
Carlos Rebola

Carlos Rebola disse...

"Uma Ilha"

É verdade.
Os sítios bonitos, não só os que têm água, quando bem cuidados são, uma mais valia, para a qualidade de vida e para o desenvolvimento das comunidades.
Obrigado

Abraço
Carlos Rebola

Táxi Pluvioso disse...

Pelos arredores de Lisboa havia várias fontes, onde as pessoas iam de garrafões buscar água, por acharem que era mais pura e benfazeja do organismo. A construção de casas e estradas poluiu essas fontes. Por isso, acho que se deve destruir tudo, mais tarde inventam forma de fabricar água e vendê-la às pessoas.

Carlos Rebola disse...

Amigo "Táxi pluvioso"

Já estou a imaginar, as pessoas a contraírem empréstimos, dando como garantia (penhora) o corpo para reciclagem, para puderem comprar o precioso e raríssimo líquido. E sentados nos bancos dos jardins de areia sob um céu cor de abóbora "menina", os jovens casais de namorados conversam através de intercomunicadores incorporados nas máscaras dos escafandros de protecção da pele e com garrafas de ar, (produzido por uma industria florescente), às costas sem se poderem beijar porque é morte certa tirar a máscara e ou os escafandro...

Abraço
Carlos Rebola

xistosa - (josé torres) disse...

Lembro-me sempre de:

Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Bertold Brecht

Não quero ser teimoso, mas penso que não é de Bertold Brechet, mas sim de Maiakovski, mas já não tenho a certeza e não quero teimar, acabei de tirar isto da net e fiquei admirado com o autor que constava.
Nem ligo, mais tarde verei ...

É que no Porto, começaram exactamente por entregar a a capatação da água que dava prejuízo.
Nasceu a Empresa de Águas do Douro e Paiva, que era captar a água, tratá-la e vendê-la ... por isso tinham um conselho de Administração com com uma data de mamões ganhando balúrdios.
Rui Rio, que é obrigado a optar por receber um vencimento por inteiro e do outro só 1/3, fez como por todo o país. Recebe os dois por inteiro ...

A distribuição, que tinha 53% de percas, com era ainda mais deficitária e tinha um director que ganhava, quando saí cerca de 550 contos.
Agora passou a Empresa Municipal.
Tem uma Administração que ganha mais que todos os 500 funcionários juntos.

Tem sido isto por todos os lados.
Portanto, amigo Carlos Rebola, pode dar-lhes uma ou outra "Ferroada", mas devem estar a repartir, (antes de cortar) o bolo e ver quem fica com os despojos ...

Um abraço.

daniel disse...

Calos Rebola

É tudo muito simples, quem não sabe, nem pensar, e deseja ganhar bem, com as respectivas beneces, entra na polilica activa. Antes de entrar prometes os mundos todos. Depois por azar fica com todo o tempo muito acupado!...
Um abraço,
Daniel

Templo do Giraldo disse...

Olá caro amigo estou de passagem para te deixar uns saudosos cumprimentos.

Nos ultimos tempos não tens dito nada, quando quiseres passa lá no meu espaço.

Bom fim de semana.

fotógrafa disse...

Acalma o teu coração,
se queres ver as belezas,
com que Deus te presenteou...

Só ouvindo no silêncio,
entenderás a musica que te sai da alma,
e poderás assim saber o porquê do teu viver!

(Fotografa)

Bom fds
abraço

Lapa disse...

Carlos Rebola:
Obrigado por existir e continue as suas justas lutas em prol do bem-comum.
Este post é brilhante.

Grande Abraço.

FERNANDA & POEMAS disse...

Olá Carlos, espaço muito bonitos, que com alguns cuidados ficariam belíssimos... Bom fim de semana,
Beijinhos de carinho,
Fernandinha

Carlos Rebola disse...

Amigo José Torres

A criação das empresas municipais "EM", parece-me que foi uma manobra politica para as autarquias irem buscar fundos no quadro da CEE, mas resultou num regabofe que nalgumas autarquias são uma escandaleira, principalmente na distribuição de água, acabaram ou foram reduzidos os fundos que vinham do exterior, para pagarem os ordenados "chorudos" a funcionários superiores (os funcionários inferiores? ficaram na mesma ou piores) das Câmaras que transitaram para as "EM´s" com vencimentos de administradores e ou gestores, muito superiores. Para que mantenham o nível de "competência" (hoje medem a competência pelo ordenado) vão buscar o vencimento aos munícipes (contribuintes) inventando taxas de disponibilidade e outras como lixos fixos e variáveis. O panorama geral da "EM´s" segundo notícias públicas é muito mau.
Talvez por tudo isto não lhes interessa manter as fontes limpas com água potável, porque podem ser uma alternativa quando as pessoas já não puder pagar aquela que eles fornecem.
É por isso que devemos reclamar e, nunca nos deixarmos levar.

Abraço
Carlos Rebola

Carlos Rebola disse...

Caro Daniel

É verdade, prometem tudo de bom, porque ainda há quem acredite em valores que praticam, dão-lhe o voto, que é de confiança nas promessas, estas quase nunca são cumpridas como foram prometidas.

Gera-se a desconfiança que se transforma novamente em confiança nas eleições. A magia dos ilusionistas.

Abraço
Carlos Rebola

Carlos Rebola disse...

Templo do Giraldo

Obrigado pela visita.
Volta sempre.
Abraço
Carlos Rebola

Carlos Rebola disse...

Fotografa
Obrigado pelo poema e pela visita.
Beijos
Carlos Rebola

Carlos Rebola disse...

Caro Lapa

Julgo que nunca se pode baixar a cabeça e deixar o mundo por conta dos maus, senão acabamos todos "fritos", porque a coisa está a aquecer. É pena que tantas vezes e cada vez mais tenhamos que reclamar daqueles que deveriam fazer tudo mas tudo em defesa do futuro que nos prometeram e que parece não estão a cumprir.

Um abraço
Carlos Rebola

Carlos Rebola disse...

Fernanda

Com um pouco de consideração pelos sítios e populações, tudo seria mais bonito, mas infelizmente a quem se deu a capacidade de poder não está para aí virado e é o que se vê, com tristeza.

Beijos
Carlos Rebola