sábado, 7 de junho de 2008

A propósito de Vladimir Maiakovski


Vladimir Maiakovski
Poeta russo suicidou-se ou foi "suicidado" com um tiro na cabeça em 1930, escreveu, assim no início do século XX :



Na primeira noite, eles se aproximam e colhem uma flor de nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem, pisam as flores, matam nosso cão.
E não dizemos nada.
Até que um dia, o mais frágil deles, entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua, e, conhecendo nosso medo, arranca-nos a voz da garganta.
E porque não dissemos nada, já não podemos dizer nada.





Depois de Maiakovski… Escreveu Bertold Brecht


Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro
Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário
Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável
Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei
Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.


Bertold Brecht (1898-1956)

Depois ecreveu Martin Niemoller, assim:

Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
Como não sou judeu, não me incomodei.
No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
Como não sou comunista, não me incomodei .
No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
Como não sou católico, não me incomodei.
No quarto dia, vieram e me levaram;
já não havia mais ninguém para reclamar...

Martin Niemöller, 1933


E recentemente escreveu assim Cláudio Humberto:

Primeiro eles roubaram nos sinais, mas não fui eu a vítima,
Depois incendiaram os ônibus, mas eu não estava neles;
Depois fecharam ruas, onde não moro;
Fecharam então o portão da favela, que não habito;
Em seguida arrastaram até a morte uma criança, que não era meu filho...


Cláudio Humberto, em 09 FEV 2007





Nos nossos dias e lugares


Sócrates, logo no dia da posse atacou os farmacêuticos.
Eu não disse nada porque não sou farmacêutico
A seguir atacou os magistrados, também nada disse porque não sou magistrado.
Depois foi aos médicos e enfermeiros. Também nada disso é comigo, não sou médico nem enfermeiro.
A seguir congelou as carreiras dos funcionários públicos, quero lá saber eu nem sou manga de alpaca.
Maltratou os polícias, os militares, os professores... os padres também não escaparam.
Aumentou os impostos.
Aumentou a idade da reforma, a insegurança nas ruas, nas escolas e até nas nossas casas.

Há mas criou “as novas oportunidades” “o divórcio” a insegurança, o crime, a violência, os “canudos” de férias e Domingos.

Hoje bateu à minha porta com a Lei da mobilidade e atirou-me para o desemprego. Já gritei e ninguém me ouve, até parece que a coisa só me afecta a mim.


O que os outros disseram, foi depois de ler Maiakovski.


Incrível é que, após mais de cem anos, ainda nos encontremos tão desamparados, inertes, e submetidos aos caprichos da ruína moral dos poderes governantes, que vampirizam o erário, aniquilam as instituições, e deixam aos cidadãos os ossos roídos e o direito ao silêncio: porque a palavra, há muito se tornou inútil…

- Até quando?... Cuidado... Está a chegar a nossa vez... Será que ainda teremos liberdade para gritar?... Até blogosfera, porque incomoda, já está na mira... estejam atentos.


Denunciar é preciso...
(recbido por E-mail)




"Não é difícil morrer nesta vida: / Viver é muito mais difícil " Maiakovski




O provérbio: - "Calar é a sabedoria dos tolos."

13 comentários:

fotógrafa disse...

O valor das coisas, não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem…
Bom fds prolongado, abraço

Arsénio Mota disse...

Aqui está um post de verdadeira categoria. O amigo Carlos Rebola refere que o recebeu por e-mail, acho que foi um sortudo!
De facto, eu não conhecia somente o autor creio que brasileiro citado, os anteriores sim, fazem parte das minhas memórias mais estimadas. Mas como é bom reencontrar Maiakovski, Brecht e etc. aqui! Como é importante recordar os avisos da inteligência mais humanizada e sofrida!
Esta «Ferroada» saltou uns pontos, assim espetada no cachaço dos biltres!
Abraço.

Carminda Pinho disse...

Belo post!
Para ler e reler.
Por agora só me vem à memória...se não der-mos cabo deles, são eles que darão cabo de nós.

Abraços

xistosa disse...

Recebi igualzinho ...

Eu votei PS.
Não o escondo, como muitos que agora nem sabem o que é o PS. Mas eles ganharam com maioria.

Eu sou uma vítima do sistema, porque estou reformado e fui ROUBADO!!!.
Mas, amigo Carlos Rebola, fez uma coisa que já não será para mim ... uma reforma na Segurança Social que vai para além da compreensão de um reformado como eu.
Pelo menos haverá garantia do pagamento de reformas e não vendeu palácios, nem jóias.
O sistema de saúde se for implementado como está delineado, acabará com hospitais onde até com uma injecção podíamos morrer, mas tinha uma pomposa urgência, com uma data de médicos e enfermeiros de urgência EM CASA.
Para que quero um hospital à minha porta, se me observa, (perco tempo!!!) e sou enviado para outro local.
Sabe quando recebem por estar de urg~encia, todos os profissionais, mais os auxiliares???
Para quê???
Para que serve o hospital de Anadia, se mandam os doentes para Coimbra.
E como Anadia, temos muitas Anadias ... de Norte s Sul.
Algo falhou, porque não se encerra, antes de tudo estar operacional ... foi isso que abalou o sistema.

No ensino, quem é que não quer ser avaliado???
Não é pelo "chefe" que só gosta de determinados elementos.
A vida é em si mesma uma avaliação ...
Agora, quando o trabalho desenvolvido, acarreta trabalhos de casa, planificações, testes, fichas, etc. e de repente obrigam a passar 35 horas.
Aqui é que deveriam ter reclamado e exigido o pagamento de horas que não dão para preparar lições e fazer os trabalhos de casa. A maioria das escolas nem condições têm para se "urinar".

Foram tantos, 100.000, não foi ???, mas dois dias depois os sindicatos assinaram o que a ministra queria.

Que palhaçada.
E sabe porquê???

Porque alguém vai perder privilégios e só podem ser os privilegiados ... mas aqui a descrição não cabe, encher-lhe-ia o comentário.

O texto está igual, só não termina com a sua frase, (de Maiakowisk, muito bem escolhida.

Um bom feriado.

vidaprovada disse...

Já conhecia a mensagem do e-mail que o Carlos Rebola Publicou neste post. Por coincidência, recebi-o em duas ocasiões diferentes: uma na altura do passado Natal, não tão completo (com menos o último texto que segue as diferentes adaptações do poema de Vladimir Maiakovski), com uma clara intenção de interpelar a nossa atenção para o egoísmo cada vez mais instalado nossa sociedade, mas direccionado para a ambiência que particulariza a época natalícia – para a partilha de sentimentos de humanidade, solidariedade, fraternidade, etc. E uma outra, mais recente, onde o conteúdo evoca, com particular força a nossa pequenez humana face as misérias que assolam o mundo e que desejamos sempre longe, de preferência vencidas por quem «está directamente envolvido» nessa teia imunda.

A mensagem de cada registo é semelhante e forte! Resume algo que considero como uma «bofetada psicológica» para as mentes mais distraídas. É um alerta para a tomada de consciência de ser humano.
É urgente (e mais nos dias que correm, em que a ditadura, mascarada de democracia, atormenta a estabilidade das nossa estruturas social, económica e política) que cada um de nós, ganhe voz activa na denúncia das injustiças que fervilham à nossa volta e ganhe alento para ser agente activo na luta por um mundo mais justo e humano.

Bem-haja pelo seu trabalho neste blogue.

Isabel Domingues.

vidaprovada disse...

Já conhecia a mensagem do e-mail que o Carlos Rebola Publicou neste post. Por coincidência, recebi-o em duas ocasiões diferentes: uma na altura do passado Natal, não tão completo (com menos o último texto que segue as diferentes adaptações do poema de Vladimir Maiakovski), com uma clara intenção de interpelar a nossa atenção para o egoísmo cada vez mais instalado nossa sociedade, mas direccionado para a ambiência que particulariza a época natalícia – para a partilha de sentimentos de humanidade, solidariedade, fraternidade, etc. E uma outra, mais recente, onde o conteúdo evoca, com particular força a nossa pequenez humana face as misérias que assolam o mundo e que desejamos sempre longe, de preferência vencidas por quem «está directamente envolvido» nessa teia imunda.

A mensagem de cada registo é semelhante e forte! Resume algo que considero como uma «bofetada psicológica» para as mentes mais distraídas. É um alerta para a tomada de consciência de ser humano.
É urgente (e mais nos dias que correm, em que a ditadura, mascarada de democracia, atormenta a estabilidade das nossa estruturas social, económica e política) que cada um de nós, ganhe voz activa na denúncia das injustiças que fervilham à nossa volta e ganhe alento para ser agente activo na luta por um mundo mais justo e humano.

Bem-haja pelo seu trabalho neste blogue.

Isabel Domingues.

Táxi Pluvioso disse...

Depois de Maiakovski só posso dizer belo blog. Eu costumo escrever muito mal do Portugal actual mas admiro a sua gente que ara a terra com as mãos.

Só sou contra uma coisa. A exploração. E exploração, para mim, significa não receber o justo valor pelo seu trabalho. Não sei como se define "justo", mas tenho a certeza que não permite que as empresas (e gestores e administradores etc.) arrecadem lucros obscenos, e quem trabalha fique com o resto.

Carlos Rebola disse...

Olá Fotógrafa
Obrigado pela tua visita e pelo teu pensamento.
Abraço
Carlos Rebola

Carlos Rebola disse...

Obrigado amigo Arsénio, pelo seu avisado e ponderado comentário.
Esta questão dos camionistas veio de algum modo dar razão ao que está no "post". Bastaram três dias e as pessoas na maioria não conseguia, dizer algo que fosse uma solução...Tão habituadas estavam a dizer nada ou a abster-se de algo dizer porque não era nada com elas, mas pouco faltou sentir-mos todos que também era connosco... a continuar assim lá chegaremos, é preciso arrepiar caminho, parece-me que é o ensinamento a tirar do “sumário” da lição.
Um abraço amigo
Carlos Rebola

Carlos Rebola disse...

Obrigado Carminda Pinho

Estou de acordo contigo, é preciso cada vez mais cidadania activa, para acabarmos com o que está a dar cabo de nós.
Beijos
Carlos Rebola

Carlos Rebola disse...

Amigo Xistosa

Estou de acordo com o amigo quanto às reformas boas que têm sido implementadas durante a nossa democracia desde que foi implantada no país em 74. Devemos é estar contra às coisas más que têm sido feitas também ao longo deste mesmo período, por exemplo ninguém deveria ser defraudado "roubado" nas expectativas boas que lhes foram dadas como garantidas, os que não têm privilégios (diga-se direitos) deveriam adquiridos e não ficarem na mesma e outro que os tinham perderem-nos salvo uma pequena maioria que vai sempre acumulando os que são perdidos pela maioria.
Analisando os programas dos partidos, de todos sem excepção, todos são excepcionais, porque os não cumprem quando chegam ao poder?!!! Escondem-se (justificam-se) nos buracos que nos programas fizeram, (propositadamente?). É como o "cristianismo" ideologia "política" nunca posta em prática. Se os "programas partidários ou religiosos) fossem postos em prática não tenho dúvidas que Portugal seria bem melhor. Porventura o que se põe em prática são programas pessoais no muito de grupos "corporativos".

Um abraço amigo
Carlos Rebola

Carlos Rebola disse...

Amiga Isabel Domingues

Talvez sem nos darmos conta (tal é a anestesia democrática) estamos a voltar ao esclavagismo no entanto numa forma mais subtil e requintada tão própria dos nossos dias. Decerto que os poderes já contrataram comissões altamente especializadas e mais altamente pagas, por todos nós, para a implementação, democraticamente aceite, desta forma de “neo-esclavagismo do século XXI”.
Os que ainda querem ver, devem reagir, é o que penso.

Abraço
Carlos Rebola

Carlos Rebola disse...

Taxi pluvioso

Os lucros obscenos (especulativos) não são mais que roubos a quem cria riqueza. É preciso ter resposta a esta pergunta: -"Quantos pobres são necessários para que haja um rico?"
É preciso não silênciar a indignação...

Abraço
Carlos Rebola