terça-feira, 6 de maio de 2008

Os Pápaluas, a história (lenda?)


Num fim de dia de fome.

Naquele tempo só a fartura desses dias era abundante.

No Zambujal em noite de lua cheia, alguém olhou o céu, o que era raro, coisas mais terrenas se procuravam, e, espanto viu ali mesmo no breu da noite uma "torta" a primeira broa a sair do forno para matar a fome urgente que não podia esperar...

ele viu aquela torta (pão) enorme ainda de massa sem cora (tostada) por isso meia prateada, mas era real e estava ali, para ser colhida.

Como ir buscá-la?!!! Era a questão, então... opinião para aqui, parecer para ali, ciência à mistura, grupos que se organizavam na procura duma estratégia...

mas tudo sem cobrar um real pelo que se estava a fazer (hoje não é assim cada opinião, parecer ou decisão colectiva custa muuuiiito dinheiro, hoje há inteligentes naquele tempo haviam sómente sábios) mas estávamos no Zambujal, uma aldeia de pessoas e o objectivo era ir buscar a broa (torta) para mitigar a fome, não havia dinheiro para “especialistas” e “comissões” para estudar o problema da fome (mas mesmo que houvessem esses especialistas, pergutavam sempre com desconfiança, mas o que sabem eles de "fome" para tratarem deste assunto?!!! ).

Neste desespero em noite de lua (broa) cheia eis que surge o cesteiro da terra com opinião, de verga feita, disse: - (todos se calaram) " tenho muitos poceiros, de esterca, de vindima e de carregar e até de ir à feira, que empilhados dariam para chegar à torta que até não está longe...Todos estiveram de acordo, e muito antes da "NASA" construir o "Saturno V" no Zambujal estiveram a um poceiro de alcançar a Lua (a torta) broa assolapada e redonda que por ser de pequena espessura era a primeira a ser cozida e comida...

Começou o empilhamento dos poceiros de vime (verga) com o mais "afoito" no cimo da estrutura. Eis que a um poceiro do alcance da broa o que estava em cima grita " só mais um poceiro, está quase !!! Cá em baixo não havia mais poceiros, é então que entra o que sempre estivera calado, pessoa considerada (político?!!!) diz em voz firme de líder " tirem o poceiro de baixo e ponham em cima e o problema resolve-se... os construtores “alienados” (desesperados pela fome) obedeceram e aí temos o painel da história ontem inaugurado, porque terminado e assinado pelo seu autor o Mestre Alves André...

Para prosseguir a saga dos pápaluas, ontem mesmo em plena cerimónia, surgiu uma oferta graciosa, vinda dum amigo, dum cesteiro de 90 anos, da freguesia que, para sem quaisquer custos para a "Fazenda Nacional", fazer o POCEIRO (cesto) que falta... esta proposta foi aceite por unanimidade e aclamação... e viva a ciência da verga, capaz de concorrer com a NASA ou até, mais difícil , com a AEE (Agência (sempre a mania das agências) Espacial Europeia.

Desculpem mas fez-me lembrar a "Agência de Revistas" do Corin Telado - As telenovelas em papel do meu tempo, aquele que já passou.

O provérbio: - "A fome do lobo leva-o aos montes."

4 comentários:

Arsénio Mota disse...

Agora, sim, fico a conhecer por inteiro a lenda do papa-luas! Obrigado, amigo Carlos, pelo registo que dela faz para nós, que estamos longe do Zambujal. E obrigado também a mestre André, que soube representar tão bem no seu painel esta história tão saborosa!
Lamento apenas não ter participado na festa da sua inauguração, que vejo na colecção de fotos e que decorreu ao som de cordas dedilhadas...
Um abraço para todos!

daniel disse...

Olá

O apetite, ai o apetite!... Era o que faltava, uma douta comissão para o debater?
Por enquanto ainda ele é melhor cozinheiro.
Pão e navalha era muitas dezes o almoço de um cavador, no pricípio do século passado.

Daniel

xistosa disse...

Já vi que mesmo não atingindo a torta, nada os desmerece em relação à NASA.
Também eles, (da agência especial ou Espacial), não a trouxeram ...

Momentos de intimidade contagiante entre muitos Pápaluas.
Pelo menos que houvesse a palavra para encher os estômagos dos que gostam de ver e ouvir ...

fotógrafa disse...

Amigo Carloa Rebola...todos nós temos alguma utopia dentro de nós...quando deixarmos de sonhar, deixaremos de ser homens e mulheres...
abraço