quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Herói anónimo da 1.ª guerra mundial (La Lys)

A primeira guerra mundial (a grande guerra) terminou a 11 de Novembro de 1918.

Era pequeno e recordo-me do Ti´Zé Romeiro contar histórias, sobre a fome, as amarguras e sofrimentos que passou na batalha de La Lis em França para onde fora entrincheirar-se com muitos outros camaradas, do Corpo Expedicionário Português. O Ti ´Zé Romeiro um dos sobreviventes daquela malograda batalha de La Lys, herói, pequeno agricultor e caçador, foi vencido pela morte nos anos setenta com cerca de 80 anos. Um homem calmo, ponderado e bom, talvez devido ao que passou naquela guerra, que lhe temperou a alma, era assim, o Ti´Zé Romeiro do Zambujal, a quem deixo aqui uma pequena mas merecida homenagem.


O ti´Zé Romeiro como eu o conheci


A casa do Ti´Zé Romeiro, já demolida


O soldado (28) o segundo da esquerda para a direita


"O Corpo Expedicionário Português (CEP) foi a principal força militar que Portugal, durante a 1ª Guerra Mundial, enviou para França, com a finalidade de, através da sua participação activa no esforço de guerra contra a Alemanha, conseguir tirar dividendos no final desta.
De notar que Portugal também enviou para França uma outra força, mais reduzida e menos famosa: o Corpo de Artilharia Pesada Independente (CAPI). O CAPI destinou-se a responder a um pedido de ajuda francesa, ficando sob comando do Exército Francês, sendo aí conhecido por Corps de Artillerie Lourde Portugaise (CALP) e tendo operado artilharia super-pesada de caminho de ferro, com obuses de 320 mm, 240 mm e 190 mm. A partida de milhares de homens para a Flandres gerou, no entanto, descontentamentos nacionais, avolumados pelos enormes gastos a suportar pelo governo.

Ao chegarem à Frente Ocidental as tropas portuguesas adaptaram-se rapidamente à guerra de trincheiras, mostrando grande eficiência e espírito combativo. No entanto as condições foram piorando ao longo dos tempos, sobretudo devido à falta de reforços que impediam a substituição e descanso das tropas. Esta situação era agravada por outros factores tais como o Inverno frio e húmido, muito diferente do que o que os portugueses estavam habituados. As condições foram-se agravando a tal ponto que o Comando do 1º Exército Britânico decidiu a rendição das tropas portuguesas por tropas britânicas, com o objectivo de permitir o descanso daquelas. É justamente no dia previsto para a rendição do CEP que se dá a ofensiva alemã e a Batalha do Lys, apanhando as forças portuguesas numa posição completamente desfavorável.
Com a ofensiva "Georgette" dos alemães, montada por Ludendorff, os portugueses, não motivados e muito mal preparados, acabaram por sofrer uma derrota estrondosa na Batalha de La Lys (sector de Ypres), em 9 de Abril de 1918, logo após a derrota do Exército Britânico em Arras. Não se pode definir um tempo de duração da fase inicial da ofensiva do Lys sobre a 2.ª Divisão do CEP, contudo, tendo começado o bombardeamento preparatório às 4h15 da madrugada de 9 de Abril, a última resistência dos Portugueses só cessou próximo do meio-dia de 10, em Lacouture. Os Portugueses tiveram cerca de 7.000 baixas, sendo que o maior número foi de prisioneiros por terem sido cercados pelos flancos da Divisão, como se comprova pelo facto de os Alemães lhes surgirem pela retaguarda, próximo das 11 horas da manhã. Essa derrota já era esperada pelo comandante do CEP general Fernando Tamagnini de Abreu e Silva e pelo comandante da 2.ª Divisão Gomes da Costa e pelo Chefe do Estado-Maior do Corpo Sinel de Cordes, que por diversas vezes avisaram o governo de Portugal e o comando do 1º Exército Britânico, das dificuldades existentes." (fonte Wikipedia)





O Provérbio: - "Guerra começada, só Deus sabe quando acaba"

7 comentários:

Rosi Gouvea disse...

Saudades eternas...
Bom estar de volta! Feliz por poder passear por aqui!

Beijos doces

São disse...

A guerra é um dos maiores, senão o maior, dos absurdos.
E a Humanidade não aprende que não é através dela que a solução vem.
Bom fim de semana.

Táxi Pluvioso disse...

Foi mais um milagre luso. O milagre de Tancos. bfds

Sifrónio disse...

Até os cigarros no tempo do ti'Zé Romeiro eram puro tabaco (às vezes barba de milho). O ti'Zé Romeiro sempre fumou e bebeu aguardente. Morreu com 80 e tal anos. Esta homenagem é muito merecida ao Homem humilde mas que não se vergava!

Um abraço.

Anónimo disse...

Hoje me sinto um puco triste, pois minha avo nao esta muito bem, e e mais uma lembranca da escolha que minha familia fez 17 anos atraz quando decidimos deixar o nosso pais . Cada vez que visito o seu blog o meu coracao enche de saudades e de vontade de deixar tudo e ir embora. Ontem(Domingo) fui comer nao casa dos pais e mostrei ao meu pai e minha mae o seu blog e as diferentes fotografias, e nos enchemos de lagrimas e de saudades.
Meu pai ficou admirado com a beleza do seu jardim e da sua linda casa, e ficou muito maravilhado com tantas coisas que mudaram no zambujal, a unica coisa que todos nos lembramos foi da fonte. Ai que saudades. Desculpe se esta mensagem e um pouco sem sentido, mas a envio porque no memento e a unica coneccao que tenho com o pais que tanto amo!

Mais uma vez muito obrigado!

:) Adelia

Mariazita disse...

Nasci e vivi na Figueira da Foz até aos seis anos. Recordo-me que havia perto de nossa casa um homem que tinha andado na 1ª.Guerra,e, diziam, era "gazeado". Todos os dias ia uma enfermeira dar-lhe uma injecção (parece que para as dores; ele passava o tempo todo de cama).
Esta é a recordação (vaga) mais antiga que tenho dessa guerra (de uma das consequências...).
E, enquanto tenho muitíssima informação acerca da 2ª.Guerra, o mesmo não acontece em relação à 1ª.
Por isso gosstei muito da descrição que fazes.
Obrigada.
Beijinhos
Mariazita

Carlos Monteiro disse...

Foram estes Heróis destemidos que fizeram a História de Portugal. Homens anónimos de poucas posses mas que sentiam dentro de si o dever patriótico e honradez em defender o Bom nome de Portugal, sem vacilar e sem desertar. Hoje, salvo algumas excepções, já não se encontram Homens assim.

Um Bem Haja ao Ti Zé Romeiro e a Todos os que lutaram e lutam por este País.