quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Fogueira de Natal. Uma Tradição

As festas do Natal surgem na data em que se celebrava a festa romana de Mitra, 25 de Dezembro, designada por “dies natalis Solis invicti” , festa do solstício de inverno em que se acendiam fogos durante a noite até ao nascer do sol em honra deste, que era e é fonte de vida, celebrando assim "o nascimento do Sol invencível".
A fogueira de Natal que tradicionalmente, todos os anos se faz na minha aldeia e em tantas outras, deve ser uma das partes visíveis da memória colectiva daquelas festas ancestrais do solstício de Inverno, a noite mais longa do ano a partir da qual o sol começa a brilhar mais tempo no hemisfério Norte, os dias vão crescendo desde o solstício de Inverno até ao solstício de Verão.

A fogueira de Natal que pode durar até ao ano novo, é ponto de encontro fraternal das gentes da aldeia.



Ainda há poucas décadas atrás, as pessoas punham um pequeno cepo de oliveira a arder um pouco nesta fogueira e era apagado e guardado em casa e quando haviam tempestades ou trovoadas o "cepo do natal" ou "cepo dos trovões" era colocado na lareira para acalmar as tais tempestades e trovoadas.
O Provérbio: - "O sol aquece igualmente o rico e o pobre"
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15 comentários:

Arsénio Mota disse...

Caro Carlos Rebola:

A tradição popular, que eu ainda conheci quando criança na minha terra natal, tem efectivamente a reminiscência que lhe aponta. Mostra como, ao longo dos séculos, exercendo um poder pouco menos que absoluto, a Igreja católica enxertou a canivete, no tronco do alegado paganismo, as lendas que lhe convinham. Aliás, o termo «pagão» remete, na origem, para camponês; paganismo eram os ritos celebrados pela tradição camponesa e que o poder (centrado na cidade) condenou para o dominar. Só isto, clarinho como água...
Abraço.

Arsénio Mota disse...

Meu caro:

Venho completar o meu comentário, a pressa obrigou-me a encurtá-lo. Queria lembrar que também as romarias tradicionais camponesas acabaram por ser assimiladas à religião oficial, pois passaram a ter duas partes, a profana e a religiosa...
Na verdade, quem aprofunda estas coisas, descobre que continuamos todos com os pés ainda tão metidos no passado que até espanta!
Foi o caso de um engenheiro, creio que norte-americano, que quis saber porque tinham as linhas férreas sempre aquela largura; vasculhou no caso inglês, passou pelo francês e etc. Por fim, descobriu que a primeira via férrea copiou (sim, copiou!) a largura das velhas e históricas estradas do Império Romano, as tais que davam passagem à largura de um carro!
Quando deixaremos de projectar o amanhã pelos moldes de ontem?!
Abraço.

Mariazita disse...

Caro amigo Carlos Rebola
Gostei muito de ler e ver este post, que me fez recordar os meus tempos de menininha.
Não porque, onde eu vivi nessa altura (perto de Barcelos), se fizesse essa fogueira de todos, digamos assim, mas porque, na noite de Natal o meu Pai punha na lareira, a arder muito lentamente, um tronco (não creio que fosse oliveira), que era apagado, não me lembro quando (dia 25?, dia 6 de Janeiro? - não me lembro!) e guardado para acender quando houvesse trovoada, para afastá-la para longe.
Havia até uma lenga-lenga muito interessante, espécie de oração que se rezava a Santa Bárbara, quando trovejava (para além de se acender o tronco).

Era mais ou menos assim:

Santa Bárbara se levantou
Seu pezinho direito calçou
E Jesus lhe perguntou:
- Onde vais, Bárbara?
- Vou espalhar a trovoada.
- Espalha, espalha,
lá por bem longe,
onde não haja eira nem beira
nem raminho de oliveira,
nem bafejo de anumal
a quem possa fazer mal!

E a trovoada afastava-se. Pelo menos as pessoas acreditavam que sim -:)))

Obrigada por ajudar-me a recordar coisas que me são tão agradáveis.

Beijinhos
Mariazita

Mariazita disse...

PS - Perdão... o bafejo é de
animal
não anUmal, é claro!!!

Carlos Rebola disse...

Amigo Arsénio Mota
Obrigado pelos seus comentários sempre enriquecedores.
A igreja principalmente com Constantino I (imperador romano convertido ao cristianismo) e com o concílio de Niceia, 325 anos depois do nascimento de Cristo, no qual foi criado o “credo”, da igreja e deus únicos, eliminando os escritos, considerados apócrifos, adoptou por transfiguração muitos rituais pagãos, para manter o seu poder terreno, muitos outros ainda se mantém até hoje, como o Entrudo, a festa dos rapazes (carêtos) e outros que são património da memória colectiva.

É curioso como o passado é incorporado no presente, como a medida dos carris e penso como o computador de hoje é um precursor do ábaco que os chineses inventaram no século XIV, e da máquina de calcular de Pascal do século XVII.
Daqui se conclui da importância do conhecimento do passado (História) para compreendermos o presente e na medida do possível, (com maior ou menor intervalo de erro, de acordo com o número de variáveis conhecidas), projectarmos o futuro.

Um abraço
Carlos Rebola

Carlos Rebola disse...

Mariazita

Aqui no Zambujal, também havia uma ladainha a Santa Bárbara mais ou menos assim, contada por Lurdes Rebola.

“Ai Santa Bárbara Virgem
Afasta esta trovoada
Para as águas do mar
Onde não haja humanidade.
E para onde não haja mulheres grávidas,
Nem meninos pequeninos
Nem ovelhas com cordeirinhos.
Ámen”

Esta reza era feita à luz duma candeia de azeite enquanto o “cepo dos trovões” ardia no borralho.

Beijos
Carlos Rebola

mundo azul disse...

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...bem interessante!

Aqui no Brasil não temos esse costume da fogueira no Natal... Também, aqui o Natal ocorre no verão...

Desejo para você um ANO NOVO maravilhoso!

Beijos de luz...

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Carminda disse...

Olá Carlos,
desejo igualmente que o ano de 2009lhe traga tudo aquilo que deseja, principalmente saúde.

Beijinhos

o que me vier à real gana disse...

Boas festas, sr. Carlos Rebola!

Bela tenacidade, esta de preservar tradições salutares! Na minha terra, que não muito dista da sua, não existe essa tradição. Que me lembre, fogueiras só mesmo no S. João... Agora, nem essas.
Só uma coisita: não queimem oliveiras... É demasiado nobre para morrer dessa forma... e prematuramente, pois que milénios pode alcançar! Biomassa doutra natureza,de crescimento mais hamburgueriano existe avonde por aí... Foi um pedido!

Abraço, caríssimo Carlos!

fotógrafa disse...

Obrigada pelo carinho demonstrado ao longo deste ano, no meu humilde cantinho…
Nesta passagem de mais um ano, o que desejo para ti sinceramente é que SEJAS FELIZ!!!...
abraço

Pico minha ilha disse...

Passei para desejar um bom final de ano e que 2009 lhe traga tudo de bom para si e família, Feliz Ano Novo.Abraço

Táxi Pluvioso disse...

Feliz ano novo.

Manel disse...

Bom ano!
Abraço do Manel

Vieira Calado disse...

Desejo-lhe

também um

BOM ANO


de 2009

Um abraço

Maria do Carmo disse...

Olà Carlos,

Quero dar os parabéns a quém contribui para que a fogueira de Natal continue uma tradição.
Actualmente as tradições estão-se a perder cada vez mais, mas ai no Zambujal veijo que não é assim: e assim é que é!
Força malta!!!.
So foi pena eu não poder estar ai.

Um abraço com saudades.
Maria do Carmo.