Sou o único homem a bordo do meu barco
Os outros são monstros que não falam,
Tigres e ursos que amarrei aos remos
e o meu desprezo reina sobre o mar.
Gosto de uivar no vento com os mastros
E de me abrir na brisa com as velas,
E há momentos que são quase esquecimento
Numa doçura imensa de regresso.
A minha pátria é onde o vento passa.
A minha amada é onde os roseirais dão flor,
O meu desejo é o rastro que ficou das aves,
E nunca acordo deste sonho e nunca durmo
Sophia de Mello Breyner
Os outros andam a saquear no Corno de África e por cá também, sem que haja a aplicação duma lei para os punir, parece que, nem lá, nem cá, há lei que faça justiça.
Acabaram as caravelas quinhentistas mas surgiram bancos, multinacionais, navios mercantes e outras coisas mais, até saqueiam sonhos aos pobres mortais.
O Provérbio: - "Vão as leis onde querem os reis"



