terça-feira, 29 de junho de 2010

A invasão do Iraque e a vergonha humana

Recebido por E-mail, o autor deste discurso, veterano da guerra do Iraque, (já dura há tempo suficiente para gerar veteranos), diz-se que morreu dois dias depois, de "ataque cardíaco".


É evidente a omissão de imagens de Bush, responsável mor por esta invasão.
Apesar de óbvio o que é dito, não tem constituído mudança de atitude, o humano virou o seu contrário.

Citação: - "Quando os ricos fazem a guerra, são sempre os pobres que morrem" Sartre , Jean-Paul

terça-feira, 8 de junho de 2010

A Mãe Terra continua a dar alimento e beleza

A natureza apesar de mal tratada cumpre escrupulosamente os seus ritmos de produção e reprodução daquilo que necessitamos. 
No jardim horta os milagres acontecem, porque felizmente os vejo eu acredito nestes milagres, que acontecem sem falsas promessas.
A fé na Mãe Terra cresce na razão inversa da fé nos seus filhos homens, estes estão cada vez, mais desnaturados.

Citação : - "O génio e a natureza fizeram uma aliança eterna: o que o primeiro promete, a segunda certamente realiza" Schiller 

terça-feira, 25 de maio de 2010

Manuel Rebelo faleceu (25 Maio 2010)





Após uma vida de sofrimento e de trabalho duro, faleceu Manuel Rebelo.
A sua pobreza material, era a prova da sua honestidade, a sua vida foi passada a produzir riqueza que nunca foi dele. Ajudou a construir muitas habitações e edifícios (foi pedreiro), pois como dizia Dom Hélder da Câmara, "na hora da retirada dos andaimes e inauguração do edifício, ninguém se lembra dos operários que o construíram".
A minha homenagem a Manuel Rebelo um construtor de riqueza que viveu e morreu pobre.
Obrigado Manuel Rebelo pela partilha da sua grande riqueza de valores humanos que tão pouco pão dão a quem os possui.


"A PROPÓSITO DA IGUALDADE DE DIREITOS

 Para que conste e....jpg
A Lei 2105
(de António de Oliveira SALAZAR) 

Acabemos de vez com este desbragamento, este verdadeiro insulto à dignidade de quem trabalha para conseguir atingir a meta de pagar as contas no fim do mês.


Corria o ano de 1960 quando foi publicada no "Diário do Governo" de 6 de Junho a Lei 2105, com a assinatura de Américo Tomaz, Presidente da República, e do Presidente do Conselho de Ministros, Oliveira Salazar.

Conforme nos descreve Pedro Jorge de Castro no seu livro "Salazar e os milionários", publicado pela Quetzal em 2009, essa lei destinou-se a disciplinar e moralizar as remunerações recebidas pelos gestores do Estado, fosse em que tipo de estabelecimentos fosse. Eram abrangidos os organismos estatais, as empresas concessionárias de serviços públicos onde o Estado tivesse participação accionista, ou ainda aquelas que usufruíssem de financiamentos públicos ou "que explorassem actividades em regime de exclusivo". Não escapava nada onde houvesse investimento do dinheiro dos contribuintes.

E que dizia, em resumo, a Lei 2105?


Dizia que ninguém que ocupasse esses lugares de responsabilidade pública podia ganhar mais do que um Ministro. Claro que muitos empresários andaram logo a espiolhar as falhas e os buraquinhos por onde a 2105 pudesse ser torneada, o que terão de certo modo conseguido devido à redacção do diploma, que permitia aos administradores, segundo transcreve o autor do livro, "receber ainda importâncias até ao limite estabelecido, se aos empregados e trabalhadores da empresa for atribuída participação nos lucros".
A publicação desta lei altamente moralizadora ocorreu no Estado Novo de Salazar, vai dentro de 2 meses fazer 50 anos. Catorze anos depois desta lei "fascista", em 13 de Setembro de 1974 (e seguindo sempre o que nos explica o livro de Pedro Castro), o Governo de Vasco Gonçalves, recém-saído do 25 de Abril, pegou na ambiguidade da Lei 2105 e, através do Decreto Lei 446/74, limitou os vencimentos dos gestores públicos e semi-públicos ao salário máximo de 1,5 vezes o vencimento de um Secretário de Estado. Vendo bem, Vasco Gonçalves, Silva Lopes e Rui Vilar, quando assinaram o 446/74, passaram simplesmente os vencimentos dos gestores do Estado do dobro do que ganhava um Ministro para uma vez e meia do que ganhava um Secretário de Estado.
O Decreto- Lei justificava a correcção pelo facto da redacção pouco precisa da 2105 permitir "interpretações abusivas" permitindo "elevados vencimentos e não menos excessivas pensões de reforma". Ao lermos esta legislação hoje, dá a impressão que se mudou, não de país, mas de planeta, porque isto era no tempo do "fascismo" (Lei 2105) ou do "comunismo" (Dec. Lei 446/74). Agora, é tudo muito melhor, sobretudo para os reis da fartazana que são os gestores do Estado dos nossos dias.
Não admira, porque mudando-se os tempos, mudam-se as vontades, e onde o sector do Estado pesava 17% do PIB no auge da guerra colonial, com todas as suas brutais despesas, pesa agora 50%. E, como todos sabemos, é preciso gente muito competente e soberanamente bem paga para gerir os nossos dinheirinhos.
Tão bem paga é essa gente que o homem que preside aos destinos da TAP, Fernando Pinto, que é o campeão dos salários de empresas públicas em Portugal (se fosse no Brasil, de onde veio, o problema não era nosso) ganha a monstruosidade de 420.000 euros por mês, um "pouco" mais que Henrique Granadeiro, o presidente da PT, o qual aufere a módica quantia de 365.000 mensais.
Aliás, estes dois são apenas o topo de uma imensa corte de gente que come e dorme à sombra do orçamento e do sacrifício dos contribuintes, como se pode ver pela lista divulgada recentemente por um jornal semanário, onde vêm nomes sonantes da nossa praça, dignos representantes do despautério e da pouca vergonha a que chegou a vida pública portuguesa.

Assim - e seguindo sempre a linha do que foi publicado - conhecem-se 14 gestores públicos que ganham mais de 100.000 euros por mês, dos quais 10 vencem mais de 200.000. O ex-governador do Banco de Portugal, Vítor Constâncio, o mesmo que estima à centésima o valor do défice português, embora nunca tenha acertado no seu valor real, ganhava 250.000 euros/mês, antes de ir para o exílio dourado de Vice-Presidente do Banco Central Europeu.

Não averiguei quanto irá vencer pela Europa, mas quase aposto que não será tanto como ganhava aqui na Santa terra lusitana. Entretanto, para poupar uns 400 milhões nas deficitárias contas do Estado, o governo não hesita em cortar benefícios fiscais a pessoas que ganham por mês um centésimo, ou mesmo 200 e 300 vezes menos que os homens (porque, curiosamente, são todos homens...) da lista dourada que o "Sol" deu à luz há pouco tempo.

Curioso é também comparar este valores salariais com os que vemos pagar a personalidades mundiais como o Presidente e o Vice-Presidente dos EUA, os Presidentes da França, da Rússia, e...de Portugal.

Acabemos de vez com este desbragamento, este verdadeiro insulto à dignidade de quem trabalha para conseguir atingir a meta de pagar as contas no fim do mês.

Não é preciso muito, nem sequer é preciso ir tão longe como o DL 446 de Vasco Gonçalves, Silva Lopes e Rui Vilar:

Basta ressuscitar a velhinha, mas pelos vistos revolucionária Lei 2105, assinada há 50 anos por Oliveira Salazar.



AFINAL QUEM SÃO OS FASCISTAS    

                                             Dias de Carvalho"
Recebido por E-mail


Lá é igual a cá


As pessoas sensíveis
As pessoas sensíveis não são capazes 
De matar galinhas 
Porém são capazes 
De comer galinhas 

O dinheiro cheira a pobre e cheira 
À roupa do seu corpo 
Aquela roupa 
Que depois da chuva secou sobre o corpo 
Porque não tinham outra 
O dinheiro cheira a pobre e cheira 
A roupa 
Que depois do suor não foi lavada 
Porque não tinham outra 

"Ganharás o pão com o suor do teu rosto" 
Assim nos foi imposto 
E não: 
"Com o suor dos outros ganharás o pão". 

Ó vendilhões do templo 
Ó construtores 
Das grandes estátuas balofas e pesadas 
Ó cheios de devoção e de proveito 

Perdoai-lhes Senhor 
Porque eles sabem o que fazem. 

Sophia de Mello Breyner Andresen



A citação: - "O verdadeiro cristianismo rejeita a ideia de que uns nascem pobres e outros ricos, e que os pobres devem atribuir a sua pobreza à vontade de Deus" Dom Hélder da Câmara
                                                

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Eles dançam o tango, para uma maioria de tanga


Já em 1880 era o DÉFICE o macaco das danças da tanga (macaquices, é o que é, e continuam)





Para quem tiver paciência para ler, vale a pena este artigo,  de
 Baptista Bastos


"Um dos grandes escritores portugueses, Manuel da Fonseca, costumava dizer que viver no salazarismo não só nos roubava a alegria mas, também, nos obrigava à vulgaridade de dizer mal do regime, constantemente e sem tréguas. "Não encontro nada para elogiar nesta corja", dizia.
"Corja" era uma palavra de que se servia para qualificar não só os políticos que governavam o País, como maus escritores, maus jornalistas, maus cineastas, maus artistas. Para Manuel da Fonseca um "mau" era todo aquele que se não comprometia com o seu tempo e rejeitava os testamentos legados, numa continuidade de ordem ética que explicava a razão estética.
Lembrei-me do meu velho companheiro inconformado ao ler, há dias, no "Jornal de Notícias", uma crónica de Manuel Poppe, escritor e ensaísta, que, durante anos, foi crítico literário do "Diário Popular". Trabalhei, durante vinte e três anos, naquele vespertino; e se nem sempre estive de acordo com Manuel Poppe nunca deixei de o respeitar. Ele procedia de uma linhagem crítica cujas raízes se podem, acaso, encontrar em Albert Thibaudet, nas teses da "Presença" e, decorrentemente, em João Gaspar Simões. Poppe é um homem informado, veemente e categórico, e, além disso, leitor voraz e de amplitude vária - virtudes hoje fora de moda, e que me agradam sumamente.
Na crónica no "JN", Poppe lembrava o imenso autor de "O Fogo e as Cinzas", em palavras comovidas, as quais reflectiam, afinal, o vazio em que o país cultural se encontra. Em 1958, Manuel da Fonseca publicou o seu último grande texto literário, o romance "Seara de Vento". Na edição da Caminho, o escritor adicionou importante prefácio, no qual narra as circunstâncias históricas que determinaram aquele livro, o título que era para ter ("Tempo de Lobos") e não teve, porque Aquilino Ribeiro ia lançar "Quando os Lobos Uivam", e a precedência pertencia ao grande mestre. "Eram lobos a mais", disse Manuel da Fonseca.
O regime processou Aquilino, por ofensas à magistratura, um escândalo que indignou a Europa intelectual, correu por toda a Imprensa estrangeira (por cá, nem uma linha!), e implicou abaixo-assinados com os nomes mais importantes da cultura europeia, entre os quais Mauriac e Sartre, Vittorini e Cesare Zavattini. É uma história sórdida que, por si só, devolve o retrato do regime no que ele detinha de mais revoltante.
A perseguição à inteligência nacional aniquilou o que de melhor e mais universal possuíamos. E os homens e as mulheres coagidos a viver no estrangeiro são tantos, cuja enumeração se perde na mais honesta das contagens. Conspirava-se, entrava-se na clandestinidade com o Partido Comunista, as proibições de quase tudo atingiam aspectos demenciais. O Portugal esquizofrénico, de que falou o prof. Eduardo Luís Cortesão não é uma fantasia. Ficaram-nos resíduos persistentes dessa endemia. Abrandámos, um pouco, o sufoco, logo a seguir a Abril e até Novembro de 1975. A festa era demasiado ruidosa para os ouvidos delicados dos grandes senhores. A arregimentação dos interesses captou prosélitos entre jornalistas de todos os ramos e de todas as servidões. A caça aos profissionais recalcitrantes transformou-se numa espécie de desporto sujo, no qual colaboraram alguns então esquerdistas, hoje convertidos aos meneios do "mercado" e às modas da delação.
O que tem sucedido, nos últimos dois anos e meio, suscita as mais fundas preocupações no espírito dos homens livres. E alcança níveis muito semelhantes àqueles que vivemos antes do 25 de Abril. Não tenhamos medo das equivalências: o medo está instalado, não sei por quanto tempo; o culto da denúncia estatui a precaução de se falar, de se criticar, de se comentar; o Estatuto do Jornalista é um documento perverso, que acentua o clima de receio, de temor e de vingança. O próprio facto de as leis laborais serem extremamente danosas para quem trabalha por conta de outrem introduz o sobressalto e sugere o cerco aos que se insurgem. Há casos inconcebíveis de represálias. Tal como noutros tempos ominosos.
Esta gente demonstra praticar um subhumanismo, ou uma falta absoluta de humanismo que julgávamos definitivamente arredados da sociedade portuguesa. Banalizaram a impiedade, converteram em normalidade o que é aberração. Subtraíram-nos o pouco que nos sobrava do contentamento antigo. E generalizou, em nós, o descontentamento e a angústia. Ter de dizer mal todos os dias não constitui nenhum momento feliz. Repare-se que nenhum, nem sequer um comentador português consegue descortinar uma réstia de bondade, de sensatez e de equilíbrio naquilo que este Governo tem feito e faz.
Reverto a Manuel da Fonseca e tomo de mão o conceito que aplicou, há muitos anos, para definir essa época de tristeza, de violência e de desdém. Ele e todos os seus camaradas de geração saíram da vida com o funesto desgosto de terem percebido que não havia saída. A traição exigia devoção e cega obediência. Por outro lado, a frase famosa "Roma não paga a traidores", que o procônsul Servílio Cipião proferiu, acerca dos três assassinos de Viriato, só faz sentido como lenda. A realidade é outra: os traidores são compensados. E chorudamente. Recentes exemplos ilustram a tese.
Os valores nos quais assentava a moral das relações estão liquidados. E não se vislumbra, no horizonte mais próximo do nosso mundo, a criação de outros, pelo menos tão à altura das urgências do homem de hoje, como o foram os que formaram gerações e gerações. É uma maneira de ser e de estar violentamente arredada do nosso quotidiano. O que se nos inculca é a ideia de que a "modernidade" exige uma tenaz reinterpretação da cultura, da política, do trabalho, do modo de viver. A "mobilidade" é considerada como uma verdade quase cósmica e indiscutível.
Há dias, no restaurante onde costumo almoçar às sextas-feiras, com um grupo de amigos, escritores e jornalistas, perguntei ao ministro Mário Lino:
"Então, onde é que está o socialismo?"
"Na gaveta!", exclamou, sorridente e cheio de júbilo.
Caímos na armadilha funcionalista e tecnológica que, afinal, apenas tem beneficiado o grande capital monopolista e as estratégias financeiras internacionais. Nada disto nos é dito e esclarecido. Sobretudo por uma "Esquerda", falo no P"S", bem entendido, que ajuda a cimentar o muro da "modernidade", que nos obriga a mudar de perspectiva, de vida e até de sonhos, sem nada opor em troca. Para a classe dirigente não há alternativa. Estou em crer no contrário." 
Publicado no Jornal de Negócios em 13.07.2007



Se em 2002 era o "discurso da tanga" hoje é o "discurso do tango", mas hoje também, o género já não importa, podem casar, é legal. Charles Darwin ainda vai ter que responder perante alguém, para provar, que mentiu quando disse que "evoluímos a partir dum ancestral comum" e Sigmund Freud terá que provar muita coisa também, o que sabia sobre o "complexo de Édipo", a líbido, a sublimação e o "retorno ao útero".

O Provérbio: - "A justiça é criminosa, quando cruel"

sábado, 1 de maio de 2010

1.º de Maio

E no casino global a ganância dos mesmos que puseram o Mundo na situação actual, contínua. A mesa mantém-se farta de especulação.
Ainda é permitido aos que alimentam os especulares, assassinos livres e sem moral, um dia para reclamarem e clamarem por justiça, quem devia tapa os ouvidos, quando não os cala pela força ou pela fome. Acontece invariavelmente todo o tempo e em todo o lugar, quando os injustiçados exercem o justo direito da indignação. Isto tem tem um nome. TIRANIA.



Está mal, muito mal e quem tem o poder não quer pôr bem, porque é disso que se trata, NÃO QUEREM mudar o que está errado e é injusto. 

Citação: - "Podeis enganar toda a gente durante um certo tempo; podeis mesmo enganar algumas pessoas todo o tempo; mas não vos será possível enganar sempre toda a gente" Lincoln , Abraham
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domingo, 25 de abril de 2010

25 de Abril


Só a Natureza e a poesia continuam a cumprir Abril, dando-nos os cravos e as rimas, que ainda nos lembram que um dia, nós portugueses, tivemos um sonho.

As Portas que Abril abriu - José Carlos Ary dos Santos


Era uma vez um país 
onde entre o mar e a guerra 
vivia o mais infeliz 
dos povos à beira-terra.

Onde entre vinhas sobredos 
vales socalcos searas 
serras atalhos veredas 
lezírias e praias claras 
um povo se debruçava 
como um vime de tristeza 
sobre um rio onde mirava 
a sua própria pobreza.



Era uma vez um país 
onde o pão era contado 
onde quem tinha a raiz 
tinha o fruto arrecadado 
onde quem tinha o dinheiro 
tinha o operário algemado 
onde suava o ceifeiro 
que dormia com o gado 
onde tossia o mineiro 
em Aljustrel ajustado 
onde morria primeiro 
quem nascia desgraçado.


Era uma vez um país 
de tal maneira explorado 
pelos consórcios fabris 
pelo mando acumulado 
pelas ideias nazis 
pelo dinheiro estragado 
pelo dobrar da cerviz 
pelo trabalho amarrado 
que até hoje já se diz 
que nos tempos do passado 
se chamava esse país 
Portugal suicidado.



Ali nas vinhas sobredos 
vales socalcos searas 
serras atalhos veredas 
lezírias e praias claras 
vivia um povo tão pobre 
que partia para a guerra 
para encher quem estava podre 
de comer a sua terra.

Um povo que era levado 
para Angola nos porões 
um povo que era tratado 
como a arma dos patrões 
um povo que era obrigado 
a matar por suas mãos 
sem saber que um bom soldado 
nunca fere os seus irmãos.



Ora passou-se porém 
que dentro de um povo escravo 
alguém que lhe queria bem 
um dia plantou um cravo.

Era a semente da esperança 
feita de força e vontade 
era ainda uma criança 
mas já era a liberdade.



Era já uma promessa 
era a força da razão 
do coração à cabeça 
da cabeça ao coração. 
Quem o fez era soldado 
homem novo capitão 
mas também tinha a seu lado 
muitos homens na prisão.



Esses que tinham lutado 
a defender um irmão 
esses que tinham passado 
o horror da solidão 
esses que tinham jurado 
sobre uma côdea de pão 
ver o povo libertado 
do terror da opressão.



Não tinham armas é certo 
mas tinham toda a razão 
quando um homem morre perto 
tem de haver distanciação

uma pistola guardada 
nas dobras da sua opção 
uma bala disparada 
contra a sua própria mão 
e uma força perseguida 
que na escolha do mais forte 
faz com que a força da vida 
seja maior do que a morte.



Quem o fez era soldado 
homem novo capitão 
mas também tinha a seu lado 
muitos homens na prisão.



Posta a semente do cravo 
começou a floração 
do capitão ao soldado 
do soldado ao capitão.



Foi então que o povo armado 
percebeu qual a razão 
porque o povo despojado 
lhe punha as armas na mão.



Pois também ele humilhado 
em sua própria grandeza 
era soldado forçado 
contra a pátria portuguesa.



Era preso e exilado 
e no seu próprio país 
muitas vezes estrangulado 
pelos generais senis.



Capitão que não comanda 
não pode ficar calado 
é o povo que lhe manda 
ser capitão revoltado 
é o povo que lhe diz 
que não ceda e não hesite
– pode nascer um país 
do ventre duma chaimite.



Porque a força bem empregue 
contra a posição contrária 
nunca oprime nem persegue
– é força revolucionária!



Foi então que Abril abriu
as portas da claridade
e a nossa gente invadiu
a sua própria cidade.



Disse a primeira palavra 
na madrugada serena 
um poeta que cantava 
o povo é quem mais ordena.



E então por vinhas sobredos 
vales socalcos searas 
serras atalhos veredas 
lezírias e praias claras 
desceram homens sem medo 
marujos soldados «páras» 
que não queriam o degredo 
dum povo que se separa. 


E chegaram à cidade 
onde os monstros se acoitavam 
era a hora da verdade 
para as hienas que mandavam 
a hora da claridade 
para os sóis que despontavam 
e a hora da vontade 
para os homens que lutavam.



Em idas vindas esperas 
encontros esquinas e praças
não se pouparam as feras 
arrancaram-se as mordaças 
e o povo saiu à rua 
com sete pedras na mão 
e uma pedra de lua 
no lugar do coração.



Dizia soldado amigo 
meu camarada e irmão 
este povo está contigo 
nascemos do mesmo chão 
trazemos a mesma chama 
temos a mesma ração 
dormimos na mesma cama 
comendo do mesmo pão.

 
Camarada e meu amigo 
soldadinho ou capitão 
este povo está contigo 
a malta dá-te razão.



Foi esta força sem tiros 
de antes quebrar que torcer 
esta ausência de suspiros 
esta fúria de viver 
este mar de vozes livres 
sempre a crescer a crescer 
que das espingardas fez livros 
para aprendermos a ler 
que dos canhões fez enxadas 
para lavrarmos a terra 
e das balas disparadas 
apenas o fim da guerra.



Foi esta força viril
de antes quebrar que torcer
que em vinte e cinco de Abril 

fez Portugal renascer.


E em Lisboa capital
dos novos mestres de Aviz
o povo de Portugal
deu o poder a quem quis.



Mesmo que tenha passado 
às vezes por mãos estranhas 
o poder que ali foi dado 
saiu das nossas entranhas.

 
Saiu das vinhas sobredos 
vales socalcos searas 
serras atalhos veredas 
lezírias e praias claras 
onde um povo se curvava 
como um vime de tristeza 
sobre um rio onde mirava 
a sua própria pobreza.



E se esse poder um dia 
o quiser roubar alguém 
não fica na burguesia 
volta à barriga da mãe.

 
Volta à barriga da terra 
que em boa hora o pariu 
agora ninguém mais cerra 
as portas que Abril abriu.



Essas portas que em Caxias 
se escancararam de vez 
essas janelas vazias 
que se encheram outra vez 
e essas celas tão frias
tão cheias de sordidez 
que espreitavam como espias 
todo o povo português.



Agora que já floriu 
a esperança na nossa terra 
as portas que Abril abriu 
nunca mais ninguém as cerra.



Contra tudo o que era velho 
levantado como um punho 
em Maio surgiu vermelho 
o cravo do mês de Junho.



Quando o povo desfilou 
nas ruas em procissão 
de novo se processou 
a própria revolução.



Mas eram olhos as balas 
abraços punhais e lanças 
enamoradas as alas 
dos soldados e crianças.



E o grito que foi ouvido 
tantas vezes repetido 
dizia que o povo unido 
jamais seria vencido.



Contra tudo o que era velho 
levantado como um punho 
em Maio surgiu vermelho 
o cravo do mês de Junho.



E então operários mineiros 
pescadores e ganhões 
marçanos e carpinteiros 
empregados dos balcões 
mulheres a dias pedreiros 
reformados sem pensões 
dactilógrafos carteiros 
e outras muitas profissões 
souberam que o seu dinheiro 
era presa dos patrões.



A seu lado também estavam 
jornalistas que escreviam 
actores que se desdobravam 
cientistas que aprendiam 
poetas que estrebuchavam 
cantores que não se vendiam 
mas enquanto estes lutavam 
é certo que não sentiam 
a fome com que apertavam 
os cintos dos que os ouviam.



Porém cantar é ternura 
escrever constrói liberdade 
e não há coisa mais pura 
do que dizer a verdade.



E uns e outros irmanados 
na mesma luta de ideais 
ambos sectores explorados 
ficaram partes iguais.



Entanto não descansavam 
entre pragas e perjúrios
agulhas que se espetavam 
silêncios boatos murmúrios 
risinhos que se calavam 
palácios contra tugúrios 
fortunas que levantavam 
promessas de maus augúrios 
os que em vida se enterravam 
por serem falsos e espúrios 
maiorais da minoria 
que diziam silenciosa 
e que em silêncio fazia 
a coisa mais horrorosa:
minar como um sinapismo 
e com ordenados régios 
o alvor do socialismo 
e o fim dos privilégios.

Foi então se bem vos lembro 
que sucedeu a vindima 
quando pisámos Setembro 
a verdade veio acima.

E foi um mosto tão forte 
que sabia tanto a Abril 
que nem o medo da morte 
nos fez voltar ao redil.



Ali ficámos de pé 
juntos soldados e povo 
para mostrarmos como é 
que se faz um país novo.



Ali dissemos não passa! 
E a reacção não passou.
Quem já viveu a desgraça 
odeia a quem desgraçou.



Foi a força do Outono 
mais forte que a Primavera 
que trouxe os homens sem dono 
de que o povo estava à espera.



Foi a força dos mineiros 
pescadores e ganhões 
operários e carpinteiros 
empregados dos balcões 
mulheres a dias pedreiros 
reformados sem pensões 
dactilógrafos carteiros 
e outras muitas profissões 
que deu o poder cimeiro 
a quem não queria patrões.

Desde esse dia em que todos
nós repartimos o pão
é que acabaram os bodos
— cumpriu-se a revolução.



Porém em quintas vivendas 
palácios e palacetes 
os generais com prebendas 
caciques e cacetetes 
os que montavam cavalos 
para caçarem veados 
os que davam dois estalos 
na cara dos empregados 
os que tinham bons amigos 
no consórcio dos sabões 
e coçavam os umbigos
como quem coça os galões 
os generais subalternos 
que aceitavam os patrões 
os generais inimigos 
os generais garanhões 
teciam teias de aranha 
e eram mais camaleões 
que a lombriga que se amanha 
com os próprios cagalhões. 
Com generais desta apanha 
já não há revoluções.

Por isso o onze de Março 
foi um baile de Tartufos 
uma alternância de terços 
entre ricaços e bufos.



E tivemos de pagar
com o sangue de um soldado
o preço de já não estar
Portugal suicidado.

Fugiram como cobardes 
e para terras de Espanha 
os que faziam alardes 
dos combates em campanha.

E aqui ficaram de pé 
capitães de pedra e cal 
os homens que na Guiné 
aprenderam Portugal.



Os tais homens que sentiram 
que um animal racional
opõe àqueles que o firam 
consciência nacional.



Os tais homens que souberam 
fazer a revolução 
porque na guerra entenderam 
o que era a libertação.



Os que viram claramente 
e com os cinco sentidos 
morrer tanta tanta gente 
que todos ficaram vivos.



Os tais homens feitos de aço 
temperado com a tristeza 
que envolveram num abraço 
toda a história portuguesa.



Essa história tão bonita 
e depois tão maltratada 
por quem herdou a desdita 
da história colonizada.

Dai ao povo o que é do povo 
pois o mar não tem patrões.


– Não havia estado novo 
nos poemas de Camões!

Havia sim a lonjura
e uma vela desfraldada
para levar a ternura
à distância imaginada.



Foi este lado da história 
que os capitães descobriram 
que ficará na memória 
das naus que de Abril partiram

das naves que transportaram 
o nosso abraço profundo 
aos povos que agora deram 
novos países ao mundo.



Por saberem como é 
ficaram de pedra e cal 
capitães que na Guiné 
descobriram Portugal.



E em sua pátria fizeram 
o que deviam fazer:
ao seu povo devolveram 
o que o povo tinha a haver:
Bancos seguros petróleos 
que ficarão a render 
ao invés dos monopólios 
para o trabalho crescer.

Guindastes portos navios 
e outras coisas para erguer 
antenas centrais e fios 
dum país que vai nascer.



Mesmo que seja com frio 
é preciso é aquecer 
pensar que somos um rio 
que vai dar onde quiser

pensar que somos um mar 
que nunca mais tem fronteiras 
e havemos de navegar 
de muitíssimas maneiras.



No Minho com pés de linho 
no Alentejo com pão
no Ribatejo com vinho 
na Beira com requeijão 
e trocando agora as voltas 
ao vira da produção 
no Alentejo bolotas 
no Algarve maçapão 
vindimas no Alto Douro 
tomates em Azeitão 
azeite da cor do ouro 
que é verde ao pé do Fundão 
e fica amarelo puro 
nos campos do Baleizão.

Quando a terra for do povo 
o povo deita-lhe a mão!



É isto a reforma agrária 
em sua própria expressão:
a maneira mais primária 
de que nós temos um quinhão 
da semente proletária 
da nossa revolução.



Quem a fez era soldado 
homem novo capitão 
mas também tinha a seu lado 
muitos homens na prisão.



De tudo o que Abril abriu 
ainda pouco se disse 
um menino que sorriu 
uma porta que se abrisse 
um fruto que se expandiu 
um pão que se repartisse 
um capitão que seguiu
o que a história lhe predisse 
e entre vinhas sobredos 
vales socalcos searas 
serras atalhos veredas 
lezírias e praias claras 
um povo que levantava 
sobre um rio de pobreza 
a bandeira em que ondulava 
a sua própria grandeza! 
De tudo o que Abril abriu 
ainda pouco se disse 
e só nos faltava agora 
que este Abril não se cumprisse. 

Só nos faltava que os cães 
viessem ferrar o dente 
na carne dos capitães 
que se arriscaram na frente.



Na frente de todos nós 
povo soberano e total 
que ao mesmo tempo é a voz 
e o braço de Portugal.



Ouvi banqueiros fascistas 
agiotas do lazer 
latifundiários machistas 
balofos verbos de encher 
e outras coisas em istas 
que não cabe dizer aqui 
que aos capitães progressistas 
o povo deu o poder! 
E se esse poder um dia 
o quiser roubar alguém 
não fica na burguesia
volta à barriga da mãe! 
Volta à barriga da terra 
que em boa hora o pariu 
agora ninguém mais cerra 
as portas que Abril abriu!

Lisboa, Julho-Agosto de 1975






Mas 

DESPERTAR É PRECISO

Na primeira noite eles aproximam-se e colhem uma Flor do nosso jardim e não dizemos nada.
Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.
Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada.









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sexta-feira, 23 de abril de 2010

Lucrar com a solidariedade



"A campanha a favor das vítimas do temporal na Madeira através de chamadas
telefónicas é um insulto à boa-fé da gente generosa e um assalto à
mão-armada.
A promoção reza assim: Preço da chamada 0,60 € + IVA.
São 0,72 € no total. O que de má-fé não se diz é que o donativo que deverá
chegar (?) ao beneficiário madeirense é de apenas 0,50 €.
 
Assim oferecemos 0,50 € a quem carece, mas cobram-nos 0,72 € , mais 0,22 €
ou seja 30 %. Quem fica com esta diferença?
1º - a PT com 0,10 € (17 %) isto é a diferença dos 60 para os 50.
2º - o Estado 0,12 € (20 %) referente ao IVA sobre 0,60.
Numa campanha de solidariedade, a aplicação de uma margem de lucro pela PT e
da incidência do IVA pelo Estado são o retrato da baixeza moral a que tudo
isto chegou.
 
A RTP anunciou com expressa satisfação que o montante doado já atingiu os
2.000.000 de euros. Esqueceu-se de dizer que os generosos pagaram mais 44 %
ou seja mais 880.000 euros divididos entre a PT (400.000 € para a ajuda dos
salários dos administradores) e o Estado (480.000 € para ajuda ao
reequilíbrio das contas públicas e a todos os trafulhas que por lá andam).
 
A PT cobra comissão de 20 % num acto de solidariedade.
O Estado faz incidir IVA sobre um produto da mais pura generosidade.
 
ISTO É UMA TOTAL FALTA DE VERGONHA!!!!
ISTO É UM ASQUEROSO ESBULHO!!!
 
Já agora, vale a pena pensar nas recolhas de alimentos para o Banco
Alimentar Contra a Fome feitas à porta dos hipermercados.
 
Tudo é pago, contemplando o lucro dos ditos e, claro está, os impostos ao
consumo.
Em Portugal, miseravelmente, ser solidário é ser sinónimo de parvo e
estúpido!"
(Recebido por E-mail, a circular)

Quantos pobres é necessário fazer, para alimentar a ganância dum rico?
Moral? Assim!? Vão pró Inferno. Parece que já andam a contratar engenheiros de ar condicionado.

Citação: - "Não temos nas nossas mãos as soluções para todos os problemas do mundo, mas diante de todos os problemas do mundo temos as nossas mãos" (Schiller , Friedrich)