terça-feira, 7 de outubro de 2008

A broa de milho da terra à nossa mesa

A broa de milho é confeccionada a partir da farinha de milho, planta da família Gramineae e da espécie Zea mays, originária da América (México) e por isso conhecida em Portugal a partir do princípio do século XVI.

A terra é lavrada e assim preparada para receber as sementes de milho a partir de Março aqui no Zambujal. Depois de lavrada nos sulcos ou regos deixados pela charrua os grãos de milho são lançados em pitadas espaçados a intervalos duma passada, depois são cobertos por uma grade ou enxada.

As sementes germinam e formam os milheirais que serão mondados, sachados e regados, quando as espigas se formam criam "barbas" (estigmas) parte dos órgãos femininos da planta que recebe o pólen produzido pelos estames na "carepa" parte superior da planta dando-se a polinização para a formação dos grãos, depois da polinização a parte superior do milho é cortada constituindo forragem para alimentar o gado. Depois de atingir a maturidade as searas de milho são cortadas por volta de Agosto Setembro.

Depois de cortado o milho é transportado para as eiras.

Nas eiras são feitas as desfolhadas ou "escamisa" para separar as espigas da palha e "folhelho" sendo esta parte da planta (palha) amarrada em pequenos molhos "caroças" e armazenadas em palheiros para alimentar o gado no Inverno, as espigas são colocadas na eira para secarem ao sol.

Depois de secas as espigas são "debulhadas" por máquinas debulhadoras ou com "malhos" para separar o grão do "carolo". O grão é espalhado na eira para que o sol o acabe de secar e depois é armazenado em arcas no celeiro.

O milho em grão é levado ao moinho onde é transformado em farinha, esta farinha depois é peneirada para uma "gamela", junta-se sal e o fermento (massa que se retirou da última "fornada" e se deixou fermentar e é escaldada com água quase a ferver e mexida com uma colher de pau ou uma "escudela"e deixa-se arrefecer um pouco.

Na gamela a farinha já escaldada é amassada juntando água até ficar numa massa com a qual se forma uma "bola" grande polvilhada com farinha. Esta massa é coberta com mantas para que mantenha a temperatura correcta para a fermentação. Enquanto a massa fermenta aquece-se o forno com lenha. Depois do forno quente e com o "lar" limpo a massa já fermentada (vê-se pelas rachas que a massa cria) é tendida com uma tigela em pequenas porções que são colocadas no forno (enfornadas) com uma pá de ferro, quando a broa já estiver cozida desenforna-se com uma pá de madeira.

E assim desde a terra chega fumegante, com um delicioso cheiro e sabor ás nossas mesas para ser degustada com os mais variados "condutos" (azeitonas, chouriço, sardinha, presunto, queijo,...) ou com uma sopa à lavrador, um bom prato de bacalhau ou mesmo sem mais nada a broa de milho que ainda se faz no Zambujal é uma delícia. A torta é uma broa espalmada (tipo bolacha grande) que muitas vezes é recheada com sardinha miúda (petinga) ou com torresmos e porque se coze mais depressa é a primeira a ser comida e quente.

A broa saciou e ainda continua a saciar muita gente com fartura de fome.

Bom apetite.

O provérbio: - "Deus dá o pão, mas não amassa a farinha"



segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Água. "Tarifa de disponibilidade" que toma o lugar da "taxa de aluguer do contador será, "cartelização", "chico espertismo" ou ambas as coisas?

É de opinião geral que a "taxa ou tarifa de disponibilidade" é ilegal quando substitui o "aluguer do contador" abolido pela lei 12/2008 e essa opinião coincide com a minha, reclamei junto da INOVA-EM da CMC, ver aqui, para que tal taxa ou tarifa fosse retirada da factura de consumo de água e recebi a resposta que pode ver aqui. Respondi à resposta, veja aqui e escrevi ao Presidente da Assembleia Municipal de Cantanhede e ao primeiro Ministro como aqui se pode ver.



Parece que as instituições que deveriam defender os consumidores e contribuintes são impotentes para o fazerem e dá a sensação que cada um está entregue a si próprio na defesa dos seus direitos e pior estamos tristemente a viver num mundo de especulação e de chico espertismo de "alto gabarito" que nos arrasta para situações que todos dizem não desejar mas que como que "hipnotizados" para lá caminhamos mansos e impotentes.



Links relacionados:

Regulamento de distribuição de água do Município de Cantanhede



Lei n.º 12/2008 de 26 de Fevereiro



Lei do consumidor

Lei do regime geral das taxas das autarquias locais


“A sociedade é amorfa e os consumidores não querem estar a incomodar-se e pagam tudo”
"Mário Frota "












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O provérbio: - "Dos erros comem os escrivães"









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segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Outono

A sequência das estações continua como sempre a surpreender-nos.
Às 16 horas e 44 minutos começou o Outono.
Mais surpreendente que a precisão do seu início são as maravilhas próprias de cada estação do ano.





O provérbio: - "Quem planta no Outono, leva um ano de abono."

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Homenagem simples a um homem bom e humilde. António da Costa Ribeiro "Toino Vaibem"

António Vaibem no Salão da ACRZ

António da Costa Ribeiro (1921-2008) conhecido por António Vaibem, nasceu no dia de Natal na Ribeira dos Moinhos, numa família de lavradores, a senhora sua mãe era a ti Guilhermina da Leonor, porque Leonor era a sua avó, mulher de Matias Simões, seu pai era Manuel da Costa Ribeiro que morreu com algumas pequenas dívidas, era o António seu filho menino de oito anos, que nunca fora à escola. Por via das pequenas dívidas do senhor seu pai, a viúva Guilhermina, sua mãe viu-se confrontada com a falta do sustento da família, que era assegurado, pelo seu esposo e teve como ajuda "solidária" a "eventariação" (palavra do António) dos seus bens e penhora para pagar, muito mas mesmo muito inflacionada, uma mísera dívida. Assim, ficaram na miséria, sem casa nem terras, na Ribeira dos moinhos.


A mãe Guilhermina, a avó Leonor, o irmão Manuel e ele próprio de "bibe".

Então sem casa (lar) em Ribeira dos Moinhos vieram viver para casa da avó Guilhermina que era do Zambujal, e ele o António "Vaibem" criança, começou a guardar gado cujo pagamento era a comida que lhe faltava em casa, depois foi trabalhar para as pedreiras da "gandara" onde "acartava" a terra com uma cesta de vime à cabeça, as crianças como formigas faziam carreiros naqueles enormes montes de terra que "acartavam" como hoje fazem os potentes bulldozers. de seguida arranjou trabalho nos lavradores onde fazia de tudo o que a lavoura exige, em troca do alimento, andava à frente do gado que puxava a charrua, arado na lavra, ou o carro carregado de mato, pasto, cereal, uvas ou carregado de tudo o que a terra dava e era colhido. O António casou aos vinte e cinco anos com a Maria do Rosário, que veio do Louriçal para servir no Zambujal, viveram na casa da avó Guilhermina e tiveram três filhos, o António, o Amândio e o Manuel, todos eles Fernandes, nome da avó.

Com mais bocas para sustentar o António Vaibem, fez de tudo o que a terra oferecia, na vinha, cavou-a limpando-a do "burgau", escavou-a, podou-a, sulfatou-a, vindimou-a, carregou os "cachos" pisou-os, deu balsa ao vinho, envasilhou-o, seguiu a sua maturação nas adegas e por fim voltou a trasfegá-lo na altura da venda. Isto ano após ano. Também arrancou pedra, enfornou a mesma pedra, cozeu-a e desenfornou a pedra que já era cal que lhe queimava as mãos e os pulmões. Esta cal que passou pelas mãos do "Vaibem" foi distribuída pelo país para a construção de obras que têm a sua impressão e pele digital, como por exemplo as novas faculdades da Universidade de Coimbra onde se ensinam doutos saberes que o António nunca sonhou existirem, mas cujo abrigo ele ajudou a construir.

O forno da cal do Caldeira e depois de Manuel de Jesus Gomes (Canário) onde o António Vaibem cozeu muita cal.

O António Vaibem nunca foi à escola porque a prioridade era ter alguma coisa que comer, mas a escola da vida deu-lhe a sabedoria daqueles que sabem quanto custa a vida ganha com trabalho duro e honesto.

O nosso conterrâneo e homem bom, António Vaibem ficou pobre e deixou-nos no dia 13 de Agosto pobre de bens materiais mas rico de valores morais e humanos e deixou obra valorosa.

Sentado na esplanada do café

Esta pequena homenagem ao ti António Vaibem, homem sábio das coisas da vida, alegre apesar de sofrido, homem que gostava de rir, cantar e dançar, é extensiva a todos quantos anonimamente fizeram o trabalho duro na construção do país que temos e pelos quais (gente anónima) a vida passou sem que ninguém fora do círculo familiar os homenageasse como fazem aos "doutores" que escreveram com as canetas, leram nos livros e se abrigaram nas casas (como quase tudo o que utilizam) que gente como o Tí António Vaibem ajudaram a construir.

O provérbio: - "Antes pobreza honrada do que riqueza roubada"

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

A actualidade portuguesa vista por "Tomás Pinto Brandão" no anno da graça de 1713




Que venha todo o estrangeiro
e cada um negociando,
o ouro e a prata vão levando
deixando-nos sem dinheiro;
e não há já conselheiro
que seja homem de talento,
que apurado o entendimento
algum remédio lhe aplique,
para que o reino não fique
exausto deste metal.
Este é o bom governo de Portugal.


"Tomás Pinto Brandão (1713)"


Este é o governo de Portugal 2008

Fonte da foto http://pmaa.com.sapo.pt



O Provérbio: - "Se queres conhecer o futuro, olha para o passado"