segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Homenagem simples a um homem bom e humilde. António da Costa Ribeiro "Toino Vaibem"

António Vaibem no Salão da ACRZ

António da Costa Ribeiro (1921-2008) conhecido por António Vaibem, nasceu no dia de Natal na Ribeira dos Moinhos, numa família de lavradores, a senhora sua mãe era a ti Guilhermina da Leonor, porque Leonor era a sua avó, mulher de Matias Simões, seu pai era Manuel da Costa Ribeiro que morreu com algumas pequenas dívidas, era o António seu filho menino de oito anos, que nunca fora à escola. Por via das pequenas dívidas do senhor seu pai, a viúva Guilhermina, sua mãe viu-se confrontada com a falta do sustento da família, que era assegurado, pelo seu esposo e teve como ajuda "solidária" a "eventariação" (palavra do António) dos seus bens e penhora para pagar, muito mas mesmo muito inflacionada, uma mísera dívida. Assim, ficaram na miséria, sem casa nem terras, na Ribeira dos moinhos.


A mãe Guilhermina, a avó Leonor, o irmão Manuel e ele próprio de "bibe".

Então sem casa (lar) em Ribeira dos Moinhos vieram viver para casa da avó Guilhermina que era do Zambujal, e ele o António "Vaibem" criança, começou a guardar gado cujo pagamento era a comida que lhe faltava em casa, depois foi trabalhar para as pedreiras da "gandara" onde "acartava" a terra com uma cesta de vime à cabeça, as crianças como formigas faziam carreiros naqueles enormes montes de terra que "acartavam" como hoje fazem os potentes bulldozers. de seguida arranjou trabalho nos lavradores onde fazia de tudo o que a lavoura exige, em troca do alimento, andava à frente do gado que puxava a charrua, arado na lavra, ou o carro carregado de mato, pasto, cereal, uvas ou carregado de tudo o que a terra dava e era colhido. O António casou aos vinte e cinco anos com a Maria do Rosário, que veio do Louriçal para servir no Zambujal, viveram na casa da avó Guilhermina e tiveram três filhos, o António, o Amândio e o Manuel, todos eles Fernandes, nome da avó.

Com mais bocas para sustentar o António Vaibem, fez de tudo o que a terra oferecia, na vinha, cavou-a limpando-a do "burgau", escavou-a, podou-a, sulfatou-a, vindimou-a, carregou os "cachos" pisou-os, deu balsa ao vinho, envasilhou-o, seguiu a sua maturação nas adegas e por fim voltou a trasfegá-lo na altura da venda. Isto ano após ano. Também arrancou pedra, enfornou a mesma pedra, cozeu-a e desenfornou a pedra que já era cal que lhe queimava as mãos e os pulmões. Esta cal que passou pelas mãos do "Vaibem" foi distribuída pelo país para a construção de obras que têm a sua impressão e pele digital, como por exemplo as novas faculdades da Universidade de Coimbra onde se ensinam doutos saberes que o António nunca sonhou existirem, mas cujo abrigo ele ajudou a construir.

O forno da cal do Caldeira e depois de Manuel de Jesus Gomes (Canário) onde o António Vaibem cozeu muita cal.

O António Vaibem nunca foi à escola porque a prioridade era ter alguma coisa que comer, mas a escola da vida deu-lhe a sabedoria daqueles que sabem quanto custa a vida ganha com trabalho duro e honesto.

O nosso conterrâneo e homem bom, António Vaibem ficou pobre e deixou-nos no dia 13 de Agosto pobre de bens materiais mas rico de valores morais e humanos e deixou obra valorosa.

Sentado na esplanada do café

Esta pequena homenagem ao ti António Vaibem, homem sábio das coisas da vida, alegre apesar de sofrido, homem que gostava de rir, cantar e dançar, é extensiva a todos quantos anonimamente fizeram o trabalho duro na construção do país que temos e pelos quais (gente anónima) a vida passou sem que ninguém fora do círculo familiar os homenageasse como fazem aos "doutores" que escreveram com as canetas, leram nos livros e se abrigaram nas casas (como quase tudo o que utilizam) que gente como o Tí António Vaibem ajudaram a construir.

O provérbio: - "Antes pobreza honrada do que riqueza roubada"

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

A actualidade portuguesa vista por "Tomás Pinto Brandão" no anno da graça de 1713




Que venha todo o estrangeiro
e cada um negociando,
o ouro e a prata vão levando
deixando-nos sem dinheiro;
e não há já conselheiro
que seja homem de talento,
que apurado o entendimento
algum remédio lhe aplique,
para que o reino não fique
exausto deste metal.
Este é o bom governo de Portugal.


"Tomás Pinto Brandão (1713)"


Este é o governo de Portugal 2008

Fonte da foto http://pmaa.com.sapo.pt



O Provérbio: - "Se queres conhecer o futuro, olha para o passado"

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

O potencial pedagogico do lixo das dunas da Praia da Tocha. Lição viva sobre o progresso industrial e económico.

A Praia da Tocha está limpa, mas o areal dum lado e doutro da mesma está a transformar-se numa enorme lixeira.
Se não existe nenhuma entidade capaz de retirar este lixo (dizem sempre os responsáveis que todos somos responsáveis pela defesa do ambiente que é de todos, pelos vistos menos de alguns dirigentes locais). Pensei que em nome da cultura, educação e formação poderiam aproveitar as potenciais disponibilidades pedagógicas da referida lixeira nos areais dos lados norte e sul da Praia da Tocha.
Como dando aulas sobre a nossa economia e industria no local, tipo roteiros culturais de Verão à descoberta dos valorosos documentos encontrados na lixeira da praia em franco desenvolvimento. Os conhecimentos adquiridos teriam a ver com as áreas ilustradas a seguir e outras a descobrir.




Industria da cordoaria e artes de pesca


O grande desenvolvimento da industria do plástico e da borracha



O petróleo e seus derivados força de desenvolvimento



A industria da Construção Civil na dinâmica económica



O dinamismo da industria tecnológica de equipamentos eléctricos e electrónicos


As biotecnologias na preservação e desenvolvimento da fauna marinha


O investimento estrangeiro e o aumento da competitividade



A industria do lazer e do lúdico para felicidade de todos



A industria alimentar


Ao serviço da higiene e beleza
O desenvolvimento da industria do calçado

E santos rebuçados para a tosse


Custa a crer que ainda não tenham aproveitado este enorme potencial pedagógico para o desenvolvimento cultural do concelho e que daria umas coloridas e apelativas e convincentes reportagens nos jornais nacionais.


Actualização (5 Set 15h)


Peixe "alimentado" a plástico (biotecnológico)

No Domingo passado na campanha da "arte xávega" o pouco pescado como sempre acontece neste tipo de pesca foi maioritariamente cavala (sarda) adquiri algumas parte confeccioneias frescas e parte congeleias, hoje preparei algumas em postas para que fritas aconpanhassem um arroz de tomate, para meu espanto!? uma delas tinha dentro um cordel verde de plástico (de rede), já estão a surgir peixes alimentados a plástico que devem confundir com algas, um indicador do será o futuro se não se inverter esta situação de poluição da Terra e Mar.
Esta é a parte visível, mas e os hidrocarbonetos, os metais pesados, os agrotóxicos... despejados aos milhares de toneladas nos rios e mares e que não se vêem?


O provérbio: - "Vão as leis onde querem os reis"

domingo, 31 de agosto de 2008

Praia da Tocha, Arte Xávega, Gaivotas e Maçaricos

Hoje fui com a máquina fotográfica, caçar gaivotas à Praia da Tocha

Após terminar a faina da pesca artesanal gaivotas e pessoas recolhem o peixe (sardinhas, carapaus, cavalas, ruivos, crustáceos e salemas) que escaparam da rede.








Os maçaricos procuram "pulgas do mar" e outros pequenos crustáceos na areia molhada

Esta gaivota parece observar, atentamente, a concorrência vinda da Figueira da Foz á Arte Xávega da Praia da Tocha, ela está perplexa com os meios mecânicos novos, por estas ondas, a cerca duma milha da praia para o lado do Palheirão. Junto da "arrebentação".
Eles aí "estão a pescar o que não deviam" como me disse um pescador da "campanha" da Arte de Xávega da Praia da Tocha.
O Provérbio: - "Jornada de mar não se pode taxar"

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Alteração dos limites da Reserva Ecológica Nacional no Concelho de Cantanhede

Resoluções do Conselho de Ministros (3)
Governo decide sobre projectos de requalificaçãoe de delimitação de reservas ecológicas
Presstur 28-08-2008 (18h23)


""O Governo português deliberou hoje, em Conselho de Ministros, lançar um projecto de requalificação urbanística para as áreas da margem sul do estuário do Tejo, constituir a sociedade “Polis Litoral Norte – Sociedade para a Requalificação e Valorização do Litoral Norte, S.A”, alterar as delimitações das reservas ecológicas nacionais dos municípios de Vila Real, Pombal e Cantanhede e aprovar a delimitação da Reserva Ecológica Nacional do município de Mora.

O Projecto do Arco Ribeirinho Sul visa a requalificação urbanística de importantes áreas da margem sul do estuário do Tejo, nos municípios de Almada, Barreiro e Seixal, quer os que são hoje da esfera pública e constituem activos do Estado, quer os envolventes. A Resolução promove a elaboração, no prazo de 90 dias, de uma proposta de Plano Estratégico, em estreita articulação com as autarquias envolvidas e com as empresas públicas detentoras dos terrenos.

“A recente decisão de localização do Novo Aeroporto de Lisboa no Campo de Tiro de Alcochete, a construção da Terceira Travessia do Tejo e o conjunto de outras iniciativas interligadas com estes investimentos, vêm dar particular relevância a esta intervenção”, refere o Conselho de Ministros, em comunicado.

A constituição da sociedade "Polis Litoral Norte – Sociedade para a Requalificação e Valorização do Litoral Norte, S.A.", tem por objectivo a gestão, coordenação e execução do investimento a realizar no âmbito do programa "Polis Litoral – Operações Integradas de Requalificação e Valorização da Orla Costeira", numa área de intervenção ao longo da faixa costeira continental, entre Caminha e Esposende, numa extensão de 50 km e que integra as zonas estuarinas dos principais rios – Minho, Lima e Cavado, totalizando uma área de intervenção com 5.000 ha.

Relativamente às resoluções que alteram as delimitações das reservas ecológicas nacionais, a decisão para o município de Vila Real “resulta da necessidade de proceder ao ajustamento da delimitação da REN aos novos limites administrativos do município de Vila Real", enquanto para Pombal se insere “numa estratégia global de dinamismo deste concelho, enquadrada nas propostas de ordenamento constantes dos Planos de Urbanização da Guia e do Carriço e do Plano de Pormenor integrado no Parque Industrial de Pombal”.

“A nova delimitação da Reserva Ecológica Nacional do concelho de Cantanhede agora aprovada insere-se numa estratégia global de dinamismo do concelho de Cantanhede, enquadrada nas propostas de ordenamento dos Planos de Urbanização de Ançã, Febres e Tocha, procedendo ainda à correcção dos traçados de algumas linhas de água e à integração de outras”.

A aprovação da delimitação da Reserva Ecológica Nacional de Mora “insere-se na estratégia municipal de ordenamento do território do município de Mora, com enquadramento no procedimento de revisão actualmente em curso do Plano Director Municipal”. ""

Será que aumentaram a área da REN (Reserva Ecológica Nacinal) em defesa do ambiente que é de todos? (Ver artigo 66.º da Constituição).
Ou será que a diminuiram?


Caso a área da REN tenha sido reduzida. Porque se foi aumentada vivemos num concelho que realmente defende o ambiente, a biodeversidade e ecossistemas.

Será que já não existe o que a REN protegia? Se não existe o que deveria ser protegido, o que aconteceu e porquê?

O que determinou a criação da Reserva Ecológica Nacional?

Fechar a torneira enquanto se escova os dentes (deveria ser prática comum), é muito pouco na defesa do ambiente, muito mais é possível fazer localmente, principalmente no ambito político.



O Provérbio: - "A Natureza criou os prazeres, o homem criou os excessos"