segunda-feira, 30 de junho de 2008

A blogosfera incomoda, por isso censura-se como previsão anunciada

"Póvoa do Varzim: Decisão inédita de tribunal suspende blog.



O acesso ao blog "Póvoa Online"substituído pelo "póvoaoffline", «suspeito de prática de acto ilícito», foi suspenso na passada sexta-feira, por ordem judicial, que deu razão a autarcas da Póvoa do Varzim, num processo por difamação contra desconhecidos, noticia o Público desta segunda-feira."



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A mordaça e a lei da rolha aí está...

O blog "Póvoa Online" foi calado por ordem judicial, ao que parece não procuraram responsabilizar os autores calaram-nos, os termos que incomodavam poderiam ser passíveis de contraditório por serem polémicos e se para uns ofensivos podem ser elogiosos para outros, fascistas, corruptos, incompetentes parecem-me termos que cada vez mais estão sujeitos a lavagem e tratamento de cosmética para serem assim aceites como normais no nosso país ou silenciados, fará isto parte do incumprimento do "novo" acordo ortográfico, há palavras que é proibido usar?

Os ingleses tinham em cada praça das vilas e cidades o "Speak Corner" uma tribuna onde todos os cidadão podiam expressar-se livremente.

Nós temos a blogosfera, mas não tarda (ver comentário), que seja somente, para ser a "voz do dono" ou para piadas, anedotas, fotografias de flores e poesia romântica fados, o que valoriza e é uma mais valia na blogosfera mas a diversidade de opiniões é importante, senão voltamos à revista à potuguesa para se poder dizer, o que se sente da e das situações ...

Porque é que em Portugal, qundo alguém denuncia algo que está mal, a primeira coisa que é feita é investigar o denunciante, quando não é anónimo, e depois arquivar a denuncia por falta de credibilidade do denunciante, o facto denunciado raramente é investigado, mas se o PR falar no mesmo facto sem denunciar, basta abordar o mesmo facto, todos os meis disponíveis são postos ao dispor da investigação?

A questão é longa mas merece reflexão quanto mais não seja sobre a qualidade dos cidadãos deste país...

Ainda pode ver o blog "apagado" aqui.

É precoso exercer a cidadania, a democracia não se esgota nas eleições, tome a sério e reflita sobre isto, veja aqui e pense sobre...

O provérbio : - "Mais vale um tempestuosa liberdade, que uma tranquila escravidão"

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Caso inédito, na Câmara Municipal de Cantanhede os trabalhadores querem ser controlados. Um caso para a psicologia analizar? Ou ...?

Veja a notícia em:
© 2008 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A.
Boas práticas/Cantanhede:
Trabalhadores da autarquia defenderam relógio de ponto (C/ FOTOS)
2008-06-25 09:00:00
** Casimiro Simões (texto) Paulo Novais (fotos) **

"Cantanhede, 25 Jun (Lusa) - Na Câmara Municipal de Cantanhede, distinguida com um prémio nacional por melhoria da qualidade dos serviços, "foram os próprios trabalhadores" a defenderem a existência de relógio de ponto, segundo o presidente da autarquia."

Será que os trabalhadores se tornaram tão irresponsáveis no cumprimento de horários que reconheceram que só com um relógio de ponto poderiam cumprí-los?

Será que defendem o relógio de ponto para tramar os "imcumpridores"?

Se tal defesa foi conseguida por um trabalho de consciencialização da necessidade de controle, o método aplicado deveria ser aplicado nas classe que lutam contra tal controle, nomeadamente na classe médica.


O provérbio: - "A liberdade não consiste em fazer o que se quer, mas o que se deve "

domingo, 22 de junho de 2008

Pôr do Sol no Monte Grande

A Associação Cultural e Recreativa do Zambujal realizou hoje uma festa para as crianças.Esta festa terminou quando este magnifico Pôr-do-sol visto do Horst, (pequena elevação) onde fica o recinto desportivo, aconteceu e ficou registado nas fotos que desejo partilhar.








Mas se a Câmara Municipal de Cantanhede e a Junta de Freguesia de Cadima persistirem na postura de não querer resolver a questão da ocupação do baldio (artigo matricial da freguesia de Cadima n.º 18192), por um industrial da construção civil. Este baldio, com a área de 8420 metros quadrados, é contíguo ao recinto da Associação a Poente, daqui a alguns anos e se a proposta feita pela Junta de Freguesia de alteração do PDM (Cantanhede) para que esse espaço (baldio) na REN seja urbanizável, teremos em vez destes maravilhosos pôr do sol, prédios a tapar o horizonte onde acontece o mesmo. A Junta de freguesia parece ter medo dos tribunais, penso que nestes casos goza de patrocinio judicial. A CMC diz que este é um problema jurídico complicado, até dá a impressão que só sabem resolver problemas simples, com tanta massa cinzenta na câmara não entendo, tantos doutores e engenheiros e técnicos superiores, não se percebe, pois parece que só resolvem problemas com a solução previamente apensa.

Ver cronologia relacionada com a ocupação do baldio.

O provérbio: - "A boca do ambicioso só fica cheia com a terra da sepultura"

quarta-feira, 18 de junho de 2008

"Burgau" uma palavra, uma pedra, a história e o amanho da terra para vinha no Zambujal

"Burgau" é uma pedra de formas arredondadas côncavas e convexas que muitas vezes se assemelham a conchas de bivalves e caramujos (caracóis do mar). Têm tamanhos pequenos e pesam entre centos de gramas a vários quilos, aparecendo envoltas em areias grossas e barros.




Aqui no Zambujal encontram-se, superfialmente, nas terras de saibro e barro, numa zona denominada "Barrios" na toponímia, a nascente do Horst de Cantanhede e a cerca de uma centena de metros dos afloramentos do júrassico. Mais umas centenas de metros para nascente, já no lugar do Zambujal os burgaus encontram-se a vários metros de profundidade, indicando a presença de água (saibro, barro, areia e burgau) quando se abriam poços.




Antigamente as vinhas eram plantadas num terreno previamente surribado a pulso, com enxada rasa, enxada de pontas e por vezes picareta, pelo método de manta aberta (vala coberta com a terra superficial vinda da frente, sobrava no fim da surriba uma vala).

Nesta surriba em terra de barro saibrento surgiam estas pedras pequenas, os burgaus, que era apanhadas pelas mulheres e crianças e colocadas nas estremas e bermas dos caminhos, fazendo-se com elas muros.





Este post surge porque mandei um abraço de agradecimento ao amigo Arsénio Mota numa destas pedras. Falei-lhe então na "burgau" a pensar que era termo regional.

O meu abraço-"pedrada" suscitou uma interessante troca de e-mails entre nós e uma pesquisa do amigo Arsénio Mota. Habituado a lidar com palavras, a "burgau" despertou-lhe a curiosidade. Ora o assunto não deixa de ser curioso e de ter interesse.
Expliquei-lhe então:
Escrevo a palavra "burgau" como a ouço pronunciar pelos mais velhos do Zambujal; penso que é diferente do cascalho porquanto a "terra cascalheira" tinha umas pequenas pedras em lascas, "laminadas", quase marga. Enquanto a terra de "burgau" era mais saibrenta e tinha estas pedra soltas e com formas arredondadas e com concavidades em forma de concha muitas delas Daí eu pensar que este nome tinha origem francesa na palavra "burgau" (burrié), (caramujo), mas não sei se é assim, digo-o por especulação. Algumas pedras "burgau", de cor rosada ou cinzenta esverdeada, muito duras, que depois de lascadas chamavam pederneiras (duas delas em colisão provocavam faísca que os mais velhos, lembro-me do Ti Luíz Romeiro, usavam para acender o "isco", torcida de pano de camisola com cinza de vides, dentro dum canudo de cana para depois acenderem os cigarros de tabaco de onça em mortalha de papel ou folhelho de milho).
Amigo Arsénio. o "burgau" aqui no Zambujal encontra-se numa faixa de terreno com cerca de mil metros, a poente do "Horst de Cantanhede" e paralelo a este. Fascinam-me estas pedras a que também chamavam bens móveis porque eram jogadas para o terreno do vizinho num vaivém constante quando a estrema não admitia muro. Por isso digo que são pedras com história: antes de nós houve quem as pegasse e as olhasse com admiração ou desprezo, são bocados do trabalho do nosso povo que fez a nossa terra, numa "união fecunda de homens e terra.".
Amigo, vou pesquisar junto dos anciãos (sábios) do Zambujal. Esta pedra "ouviu" o mandador da equipa das surribas gritar: à "cova e manta", "aoo fuundo", "maiis uma", "à freente!..."É provável que o "Glossário de Termos Gandareses" de Idalécio Cação não tenha este termo "burgau" porque o Zambujal fica localizado entre o que se chama "Gândara"; o que se chama "Campo do Mondego" fica no Horst que divide as bacias hidrográficas do Vouga a Poente e Norte e a do Mondego a Nascente e Sul. Seremos Gandareses ou Camponeses? Já consultei alguns estudos (Fernanda Delgado Cravidão) sobre esta questão e não encontro certezas. Como pode uma simples "pedrada" levantar tais questões?!

Enfim, o Arsénio esgravatou no assunto e averiguou que o termo pertence de direito ao nosso Português vernáculo. Consta do Dicionário de Morais, 10ª edição (já antiga mas sempre estimada), da responsabilidade de João Pedro Machado, mas está também na edição corrente do Dicionário da Porto Editora. Registam eles:

«burgar» = cavar terras;«Burgau» 1 = pode significar molusco gasterópode, de concha univalve, que produz o mais belo nácar; conchas desses moluscos que se espalham pelas praias e se prendem nos costados dos navios.«Burgau» 2 = Pedra miúda de envolta com areia grossa; cascalho... etc.«Burgau» 3 = Pedaços de ferro cortados ao despontar ferradura de bestas durante o atarracamento, e aproveitados na confecção da ferragem de sucata.

Note-se a 2.ª entrada ("Pedra envolta em areia grossa"): está de acordo com a terra de saibro; "areia grossa com barro" também diziam os mais velhos que, quando faziam os poços e a determinada profundidade encontravam saibro e "burgau", havia água perto. "Burgar" = Cavar terras, também parece sentido relacionado.

Assim se acrescenta mais uma centelha de conhecimento e riqueza à nossa Bairrada e Gândara. É preciso voltar ao centro dos anéis da vida para vermos o que sempre esteve ali, mas escondido; é preciso afastarmo-nos para vermos esse bocadinho de chão escondido sob os nossos próprios pés.


E tudo isto fica a lembrar uma "pedrada" cordial!



Com um abraço aos amigos Rui Murta, Manuel Faim Monteiro, Manuel Tréculo e ao Arsénio Mota que nos ilucidaram sobre como "esgavatar a terra e as letras na descoberta da burgau".


Ao Arsénio Mota escritor da Bairrada e com ela na alma, a coloca com mestria literária, (as nossas terras, gentes e vivências) nos seus livros, os meus sinceros agradecimentos.


No fundo um bem haja ao povo da Bairrada e da Gândara que desde sempre souberam como amanhar a terra e as artes, para que esta produza bons alimentos e o bom vinho que os acompanha, à nossa mesa para deleite do corpo e do espírito.

O provérbio: - "Quando o povo diz, ou é ou está para ser."

sábado, 14 de junho de 2008

As autarquias ao serviço das populações e em sua defesa?

Da Câmara Municipal de Cantanhede

Taxa de "disponibilidade" que não existia.

Os Munícipes do Concelho de Cantanhede receberam a seguinte carta da INOVA (Empresa Municipal)

Caro Munícipe



Com a entrada em vigor da Lei n° 12/2008, de 26 de Fevereiro, a facturação dos serviços públicos essenciais passará, a partir de Junho (inclusive) a ter periodicidade mensal.
Com a aprovação da alteração aos Regulamentos de Abastecimento de Agua, Aguas Residuais Domésticas e Regulamento do Ambiente, passará a ser cobrada uma tarifa de disponibilidade pelos serviços prestados, indo assim ao encontro do preconizado pelo IRAR (Instituto Regulador de Águas e Resíduos), que defende a utilização desta tarifa como mais justa do ponto de vista económico e mais equitativa para os utentes. Defende este Instituto que o consumidor servido, mesmo na ausência de utilização do serviço, também onera a estrutura de custos do prestador do serviço. A entrada em vigor desta nova legislação, nomeadamente a periodicidade mensal da facturação, vai trazer alterações significativas ao nosso sistema de facturação e correspondente cobrança.
Esta Empresa Municipal irá, naturalmente, cumprir as disposições legais, nomeadamente na apresentação da factura no prazo de dez dias úteis antes da data fixada para pagamento.




Com os melhores cumprimentos
O Presidente do Conselho de Administração

(A. Patrocínio Alves)




diz nomeadamente no seu:

Artigo 8.º


Consumos mínimos e contadores


1 — (Anterior corpo do artigo.)




2 — É proibida a cobrança aos utentes de:


a) Qualquer importância a título de preço, aluguer, amortização ou inspecção periódica de contadores ou outros instrumentos de medição dos serviços utilizados;


b) Qualquer outra taxa de efeito equivalente à utilização das medidas referidas na alínea anterior, independentemente da designação utilizada;


c) Qualquer taxa que não tenha uma correspondência directa com um encargo em que a entidade prestadora do serviço efectivamente incorra, com excepção dacontribuição para o audiovisual;


d) Qualquer outra taxa não subsumível às alíneas anteriores que seja contrapartida de alteração das condições de prestação do serviço ou dos equipamentos utilizados para esse fim, excepto quando expressamente solicitada pelo consumidor.




3 — Não constituem consumos mínimos, para efeitos do presente artigo, as taxas e tarifas devidas pela construção, conservação e manutenção dos sistemas públicos de água, de saneamento e resíduos sólidos, nos termos do regime legal aplicável.

As perguntas que se impõem:



- Se é abolida a taxa de aluguer dos contadores, da água, em benefício do consumidor, será justo que a autarquia crie imediatamente outra taxa para anular este benefício ao consumidor (Munícipe)?


- É justo que o munícipe pague um serviço que não lhe é prestado (como o tratamento de águas residuais “saneamento básico” que por exemplo no Zambujal não passa duma promessa materializada e enterrada em tubos desligados de qualquer rede?



- Será correcto o munícipe pagar uma taxa de disponibilidade da autarquia para tratamento de resíduos que ela própria produz como a deposição de alcatrão de pavimento na REN aqui nos baldios do Zambujal com a destruição de património cultural e cientifico em que a própria INOVA (Empresa Municipal) foi incumbida de retirar e ainda o não fez?




- Que razões tem a lei que a nossa própria razão desconhece?

No entanto na carta há, uma intenção que parece ser boa, a correcção da seguinte injustiça, que fora implementada há vários anos, a leitura do consumo de água no mínimo bimensal, consumos cumulativos, o que resultava para muitos consumidores em aumentos significativos de custos de consumo de água, uma vez que ultrapassavam escalões de consumos sempre mais caros, o que não aconteceria se as leituras fossem mensais como agora têm intenção de fazer, se esta medida é boa não deve servir para justificar o que é mau para o consumidor com estas alterações, que só vêm agravar o muito que o consumidor já paga por este serviço público.


Da Junta de Freguesia de Cadima

O Zambujal e a Freguesia de Cadima elegeram (deram voto de confiança) para a Junta de Freguesia a três dos habitantes da aldeia, dois para a Assembleia de Junta e um para o Executivo. No entanto a aldeia parece abandonada por este órgão do poder local:
Não tem gerido nem defendido os baldios do Zambujal (quando não existem assembleia de compartes como é o caso do Zambujal) como está estipulado por lei (artigo 34º 6 – m do Decreto-lei 169/99 de 18 de Setembro) 6 - Compete ainda à junta de freguesia: m) Proceder à administração ou à utilização de baldios sempre que não existam assembleias de compartes, nos termos da lei dos baldios.

Na aldeia do Zambujal é notório o que parece ser desleixo da autarquia



Passeios que não são cuidados



Jardim iniciado no ano passado e abandonado sem que fosse acabado (Jardim do Poço)

Pavimento (alcatroado?) do estacionamento do cemitério a ser destruído com grama "alcarnacho" o que parece denotar má pavimentação por escassez de material e má compactação do solo.


Além da solicitação da construção de passeios entre a travessa Manuel Valdágua e a rua do Outeiro, limpeza e manutenção das fontes, manutenção da drenagem das águas pluviais nas ruas, delapidação dos terrenos comunais "baldios", sem qualquer consequência prática, etc.
Se por menores que sejam os problemas, os não denunciaramos, quando eles se acumularem e se tornarem grandes males que a todos afectam, poderemos já ter perdido a capacidade de denuncia e de reclamação.


O provérbio:- "Quem confia, zelos não cria."