sexta-feira, 18 de abril de 2008

Receita antiga (do Zambujal - Cadima) de leitão assado no forno "leitão à bairrada"


Este é o ambiente para uma boa confecção do leitão assado, o mural do mestre Alves André dá o mote a estes "papaluas"

Como eu o preparo, o leitão assado no forno, claro!... de acordo com a receita dos meus antepassados
(olha para o que diz São Brás não olhes para o que ele faz)

Eis a teórica receita que tão bem resulta na prática

O leitão deve ter em média mês e meio de idade, (10 a 12 Kg, vivo. 4 a 5 Kg depois de assado) de preferência da raça bizara (mais comprido por ter um par de costelas a mais) e a mãe deve ser de criação caseira, com lavagem (restos da cozinha) figos no tempo deles, hortaliça e milho todo o ano, estes requisitos fazem o bom e gostoso leitão assado.

O leitão depois de abatido é limpo da pele com chama branda e ou água a ferver ficando sem pelos, faz-se um corte de cerca de dez centímetros na barriga do leitão para se retirarem as entranhas, limpa-se o interior e golpeia-se o interior, (para que os aromas dos temperos se entranhem na carne durante o assar).

Com os ingredientes para o tempêro à mão:

- Sessenta gramas de pimenta moída (preta 50% e branca 50%)

- Duzentas gramas de banha de porco caseira (feita do reçom das tripas)

- Um punhado de sal grosso

- Três cabeças de alho roxo (esmagados em almofariz de madeira)
Os ingredientes são misturados até se fazer uma pasta homogénea.

Entretanto já se pôs o lume ao forno que será aquecido com “trochos” secos de pinheiro.

A massa dos temperos vai untar o leitão por dentro e por fora, de seguida o leitão é cosido com fio de "morcela" (cera) numa agulha de albardeiro, nos orifícios que foram executados para a limpeza do leitão, excepto o buraco do cu e a boca por onde um pau de loureiro, vai atravessar a carcaça do leitão para o manejar durante o processo de assar.

A pele do leitão deve ser profusamente picada com um garfo de aço, que enfurrejava sem uso, com cabo de osso ou chifre (antigo).

O forno está quente, sabe-se quando os tijolos que eram vermelhos ficaram (quase) brancos no interior (+/- 450º C).

O leitão no espeto (pau de loureiro) vai ao forno, mas cuidado, os primeiros trinta minutos são cruciais para dar aquele aspecto dourado e a textura estaladiça à pele do leitão.



Deve-se ter preparado uma taça de vinho branco (casta fernão pires) com uma pitada de sal e pimenta e também um ramo de salsa ou louro, para asprigir o leitão quando o retiramos durante os primeiros trinta minutos, porque em alerta, verificamos que ele está a tostar demais, rega-se com o vinho branco para refrescar e evitar queimar, esta operação repete-se as vezes que forem necessárias (o vinho branco da casta fernão pires por vezes devido ao excesso de frutose não desdobra o açucar totalmente e é adocicado, este açucar residual, carameliza e dá um dourado especial à pele do leitão).

Após estes, cerca de trinta minutos, o forno decaiu um pouco (baixou a temperatura) e a tosta (torra) da pele do leitão já alourada estabilizou.

Segue-se o período da cozedura própriamente dita, cerca de duas horas, após este período de trinta minutos, (este tempo para assar, depende do tamanho do leitão).

Durante este tempo o leitão é voltado (virado) várias vezes para que os aromas e gostos do molho temperem bem todas as partes do leitão, por isso, é que o golpeamos por dentro.


A próxima operação com o leitão assado é retirá-lo do forno retirar-lhe o espeto (pau de loureiro) e com o leitão na vertical, de cabeça para cima, deixa-se que o molho do interior escorra pelo cu, para uma taça.

Ainda nesta posição pode ser lavado com vinho branco "casta fernão pires" e depois deixa-se enxugar um pouco antes de ir para a mesa onde depois de apreciado será trinchado e degustado, pelos apreciadores dum bom leitão à Zambujal confeccionado por Carlos Rebola por este processo e método antigo transmitido pelo meu avô Hermínio Rebola.
É claro que a folha de alumínio é moderna e serve para evitar qie as extrmidades se "esturrem" demasiado...


(A broa já está no forno para acompanhar o leitão)

Bom apetite.

Os amigos da ASAE ( Autoridade de Segurança Alimentar e Económica) também devem apreciar a nossa gastronomia tradicional para que seja bem defendida e mantida e não para a matarem, as nossas tradições gastronómicas são parte importantíssima da nossa identidade cultural e nacional. Não nos fechem as cozinhas com borralho, onde se mantem o lume aceso com cavacas, rachadas a machado, dessa lenha ecológica (cilindros de serradura prensada) é lá prós Makdonalgas ou que é lá isso dos aglomerados de carne de vaca com caca coca e cola fosfórica. Penso que os Senhores da ASAE gostam duma boa sardinha assada a pingar na broa, eum bom leitão caseiro, diga-se não industrial. Lá o tal do cigarro no casino do estouril, diz e não diz... ´só lagosta suada e esverdeada...

Venham e provem os nossos petiscos, petinga assada na telha, punheta de bacalhau, zaragatoa, petingas refogadas, bacalhau assado com batata a murro, caldeirada de peixe pescado na Praia da Tocha com arte Xávega, mas, se até os estrangeiros gostam, não percebo quando dizem que os senhores da ASAE não gostam e vêm armados, tipo rambos, com medo que morram... enevenenados?!!! Deixem-se disso e partilhem connosco os nossos petiscos e conversas, e não fechem as nossas cozinhas, só porque temos tenazes, colheres de pau e cavacas rachadas a machado... e borralhos com panelas de ferro a fazer sopa, anti anemia...

Há pormenores que fazem a boa diferença na nossa gastronomia, eis alguns:

- A colher de pau par mexer a boa sopa do lavrador (a tranca da barriga)


- O borralho onde na fogueira eram cozinhados os nossos pratos tradicionais (quando se levantava o testo da panela de ferro, um pouco de fumo entrava e aromatizava o cozinhado com um toque especial)


- O forno aquecido a lenha onde o pão (farinha do trigo cega rega, trigo de maio e trigo "sarraceno") adquiria aquele gosto e qualidade, hoje dita (até parece invenção) integral. E a broa (farinha de milho amarelo e miudinho "rústico") hoje dito biológico.


- A caçoila e a "pingadeira" de barro vermelho ou preto onde se fazia a chanfana de cabra velha, ou a galinha corada no forno com as batatas miúdas.


- A panela de ferro que fazia um a sopa de carne ou azeite e que evitava anemias... etc, etc,


Ainda temos tradições que nos identificam como povo e portugueses, na gastronomia à margem do "fast food" importado e forçado pelo poderoso "marketing".

Depois de um convívio bem regado, com conversa e vinho, cai bem um arroz doce caseiro (arroz carolino dos campos do Mondego, raspa de limão do quintal e decoração a pó de canela).

O provérbio: - "O velho e o forno pela boca se aquentam."

Dia Internacional dos Monumentos e Sítios no Museu da Pedra de Cantanhede





Hoje pelas dez e trinta da manhã o Dia Internacional dos Monumentos e dos Sítios foi assinalado com uma pequena cerimónia alusiva no Museu da Pedra de Cantanhede.


Na sala onde se encontra patente uma exposição de imagens religiosas dos templos de Portunhos, falaram das hagiografias dos mesmos (santos) das imagens de pedra que os representavam, aspectos estéticos e origens das mesmas, da inventariação catalogação e preservação deste património material e sagrado.


O Pároco de Portunhos, João Paulo Francisco Ferreira Vaz.


D. Albino Mamede Cleto, Bispo de Coimbra.


O Senhor Vereador em Regime de Permanência da CMC Dr. Pedro António Vaz Cardoso.


O Mestre Escultor, Celestino Alves André de Portunhos, com vasta obra feita na área da escultura monumental (falou do que sabia, com simplicidade, agigantar aqueles que merecem a sua arte, em pedra, bronze...).


E a directora do Museu da Pedra Dr.ª Maria Carlos Chieira Pêgo.


Todos falaram, sob o plácido olhar do padroeiro de Portunhos São Julião, de São Brás, dos restantes santos e santas e também foram atenciosamente escutados por alunos das escolas de Cantanhede e dos professores que os acompanhavam...


Depois foram em visita ao Monumento Nacional da Varziela, a Capela, onde, segundo reza a lenda, Inês e Pedro, (protagonistas duma, das mais belas e dramáticas, história de amor), se casaram em segredo.



Monumento de Alves André, ao Marquês de Marialva na praça do mesmo nome em Cantanhede




Mas... e os sítios fora de portas, Pardieiros, Gião, Monte Salgado ...?! neste dia que também se diz dos Sítios...










O provérbio: - "Santos da terra não fazem milagres."




quinta-feira, 17 de abril de 2008

18 Abril "Dia Internacional dos Monumentos e Sítios"









Ver



(Transcrição)


PARECER


Os afloramentos jurássicos de S. Gião (Cantanhede) constituem, há muito, local de referência em estudos de estratigrafia portuguesa. Destaca-se a relevância do registo fóssil e o seu significado estratigráfico, particularmente no estabelecimento do limite entre o Jurássico Inferior e Médio, que foi e é objecto de referência junto da comunidade científica nacional e estrangeira. A atestá-lo, junta-se uma síntese das publicações científicas relativas às séries calcárias aflorantes entre o marco geodésico de S. Gião e a estrada Vila Nova - Zambujal.
O mesmo local tem servido, todos os anos, como área de trabalho prático das disciplinas de Estratigrafia e de Paleontologia da Licenciatura em Geologia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, o que igualmente atesta o seu potencial didáctico.
Assim, e dada a vulnerabilidade do afloramento, que sucessivamente tem vindo a ser objecto de destruição, é nosso parecer solicitar à Câmara Municipal de Cantanhede a proposta de classificação do local como Imóvel de Interesse Municipal, disponibilizando, desde já, a nossa colaboração para efeitos da respectiva fundamentação científica.



Coimbra, 10 de Fevereiro de 2006
(assinatura)
Prof. Doutora Maria Helena Paiva Henriques
Departamento de Ciências da Terra
Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra

Ver




PDM Cantanhede Anexo II e Anexo III



É preciso agir localmente para a promoção da sustentabilidade, recomenda a Agenda 21 em mandato acordado pelas Nações Unidas.





A notícia: - "Diocese de Coimbra associa-se às comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios"



O provérbio: - "A perseverança é o grande agente do êxito."

quarta-feira, 16 de abril de 2008

Um discurso de Cristovam Buarque, que merece ser lido e reflectido

Explosão atómica


Derrube da floresta

Discurso do Ministro Brasileiro da Educação nos EUA...(Censurado)

(Este discurso merece ser lido, afinal não é todos os dias que um brasileiro dá um 'baile' educadíssimo aos Americanos...

Durante um debate numa universidade dos Estados Unidos o actual Ministro da Educação Critovam Buarque foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia (ideia que surge com alguma insistência nalguns sectores da sociedade americana e que muito incomoda os brasileiros).

Um jovem americano fez a pergunta dizendo que esperava a resposta de um Humanista e não de um Brasileiro.)

Esta foi a resposta de Cristovam Buarque :-

"De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazónia.

Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse património, ele é nosso.

Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazónia, posso imaginar a sua internacionalização, como também a de tudo o mais que tem importância para a humanidade.

Se a Amazónia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro...

O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazónia para o nosso futuro.

Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não seu preço.

Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado.Se a Amazónia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono ou de um país.

Queimar a Amazónia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais.

Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação.

Antes mesmo da Amazónia, eu gostaria de ver a internacionalização de to dosos grandes museus do mundo.

O Louvre não deve pertencer apenas à França.

Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo génio humano.

Não se pode deixar esse património cultural, como o património natural Amazónico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país.

Não faz muito tempo, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre.

Antes disso, aquele quadro deveria ter sido internacionalizado.

Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milénio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA.

Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser internacionalizada.Pelo menos Manhattan deveria pertencer a toda a humanidade.

Assim como Paris, Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua história domundo, deveria pertencer ao mundo inteiro.

Se os EUA querem internacionalizar a Amazónia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos também todos os arsenais nucleares dos EUA.

Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil.

Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida.

Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola.

Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como património que merece cuidados do mundo inteiro.

Ainda mais do que merece a Amazónia.

Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um património da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.

Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo.

Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazónia seja nossa.

Só nossa! "



O provérbio: - "Ambição e felicidade seguem estradas tão opostas que nunca podem encontrar-se."

domingo, 13 de abril de 2008

Porque dizem que hoje é o dia do Beijo (Domingo 13 de Abril de 2008)

Quero dar um afectuoso beijo a todas as mulheres e mães que asseguraram até hoje a sobrevivência da espécie Humana. Muitas vezes ao lado dos homens, os pais, mas quantas vezes sózinhas e mesmo sós?! É claro que merecem um beijo.



Com carinho um merecido beijo a estas mulheres da minha terra, que foram crianças, jovens, mães, avós, visavós e são eternamente mulheres, um beijo...

Também para as mesmas mulheres que sempre fizeram o seu trabalho a triplicar, quantas vezes sem reconhecimento, o meu afecto, o meu respeito, o meu carinho, o meu beijo...

O provérbio: - "A verdadeira afeição, na longa ausência se prova."